11 de Fevereiro de 2012
Projeto-piloto inclui educação financeira no currículo do ensino médio
Educação financeira agora é matéria obrigatória para 428 alunos do segundo ano do ensino médio de 14 escolas públicas de Juiz de Fora, em Minas Gerais, e em outros 11 municípios da região. Desde a última segunda-feira (9), assuntos como orçamento pessoal, compras impulsivas e investimentos futuros chegaram às salas de aula. São inseridos nos conteúdos das disciplinas com um único objetivo: orientar os adolescentes a usar melhor o dinheiro que já ganham trabalhando ou que recebem como mesada dos pais.
Mesmo sendo de famílias de baixa renda, esses jovens não estão fora da euforia consumista, diz a pedagoga Marise Fernandes, da Superintendência Regional de Ensino, a quem estão vinculadas as escolas escolhidas na Zona da Mata. Elas serão as únicas de Minas a receberem o projeto-piloto, que será desenvolvido também em colégios do Distrito Federal e nos Estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Tocantins e Ceará.
Segundo Marise, os adolescentes querem ter o melhor celular, o tênis de marca e as roupas da moda. Como o futuro para esta faixa etária ainda é distante, a grande maioria não pensa duas vezes antes de decidir entre um tênis e a poupança para fazer um curso de informática. E escolhem a primeira opção. Agora, com a nova disciplina, os estudantes serão treinados a responder três perguntas básicas quando decidirem gastar. Preciso disso? Tenho o dinheiro? Tem que ser agora?
A iniciativa, batizada de Programa de Educação Financeira, será desenvolvida em 900 escolas da rede pública por todo o país. Metade delas não receberá o material didático e irá apenas acompanhar o projeto. A inserção da microrregião de Juiz de Fora no programa aconteceu em função da execução na cidade, pelo Instituto Unibanco, do projeto Entre Jovens, que dá aos alunos do ensino médio reforço escolar nos conteúdos do ensino fundamental. Como o instituto é um dos patrocinadores do programa, decidiu inserir as escolas locais também na iniciativa.
A analista de projetos sociais do Instituto Unibanco, Juliana Coutinho Moreira, diz que todo o projeto foi elaborado para facilitar a discussão em sala de aula. O material didático usa linguagem comum ao adolescente e aproveita situações cotidianas para debater a educação financeira. A escolha da faixa etária a ser trabalhada não foi em vão, explica a analista.
- A intenção é que esse jovem, que já está inserido no mercado de trabalho - ou está se preparando para isso - aprenda a planejar sua vida financeira e, ao mesmo tempo, multiplique o que aprendeu em casa e junto ao seu grupo social.
Antes de receberem o material didático, os alunos farão uma prova para avaliar o que sabem sobre crédito, taxas de juros e outras questões relativas ao universo financeiro. Ao final do semestre, todos passarão por novo teste, que vai mostrar o que aprenderam de fato.
Dinheiro nem “esquenta” bolso de jovem
O consumo consciente passará a ser tema recorrente nas escolas por meio de professores que foram capacitados para atuar no projeto de educação financeira. Em Juiz de Fora, cada escola indicou uma turma e 46 educadores foram treinados.
Para saber como os jovens lidam com o dinheiro, nem é preciso uma conversa demorada. A estudante Jéssica da Silva, de 16 anos, é um bom exemplo das "necessidades" sentidas por essa geração.
- Nem recebi ainda e já gastei tudo.
Ela começou a trabalhar, no início de agosto, como office-girl. Os R$ 232,30 do salário que vai receber em setembro já foram gastos com roupas, e ela ainda quer um telefone celular. Para fazer as compras, Jéssica abriu conta no nome da mãe.
Colega de turma de Jéssica na escola estadual São Vicente de Paulo, no Bairro Borboleta, Paloma Costa não faz diferente com os R$ 100 que ganha como estagiária de um projeto de extensão da Universidade Federal de Juiz de Fora. Elas e outras amigas da mesma turma são unânimes em dizer que desejam muito mais do que os recursos que possuem permitem comprar.
Diretores e professores envolvidos no projeto reconhecem a importância da educação financeira nas escolas. Regina Coeli Galo de Oliveira, diretora do Instituto Estadual de Educação, diz que sua escola direcionou o projeto para o turno da noite porque é neste horário que estão matriculados os jovens que mais precisam de orientação.
- A maioria já trabalha e sinto que tem dificuldade para lidar conscientemente com o dinheiro.
Nas conversas com os alunos, a diretora da Escola São Vicente de Paula, Suly Silva Miranda, percebe a falta de responsabilidade com os gastos.
- Essa pressa em querer estar na moda acaba abalando a saúde financeira de toda a família.
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