12 de Fevereiro de 2012
Brasil tem apenas 13,9% dos jovens de 18 a 24 anos em faculdades; meta para 2011 é 30%
Apesar do aumento no número de vagas no ensino superior em 2008, o Brasil não deve cumprir a meta do Plano Nacional de Educação, afirma Reynaldo Fernandes, presidente do Inep (órgão ligado ao Ministério da Educação).
- É uma meta ambiciosa, mas que dificilmente vamos atingir. É um problema que não poderemos resolver agora. Temos que melhorar a taxa de matrícula no ensino médio para depois aumentar [o número de matrículas] no ensino superior.O objetivo do Plano Nacional de Educação era que 30% dos jovens entre 18 e 24 anos estivessem cursando o nível universitário até 2011.
No entanto, em 2008, três anos antes da meta, só 13,9% dos jovens nessa faixa etária estavam no ensino superior. Os dados são do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).
A secretária de Ensino Superior, Maria Paula Dallari Bucci, afirma que se não for considerado o limite de idade de 24 anos, o número de matriculados sobe para 25,2% dos jovens.
- Não devemos ser rigorosos com a idade. Desde cedo, no ensino, há uma defasagem da idade.
Mozart Ramos Neves, presidente-executivo do Movimento Todos pela Educação, pondera ser impossível o país alcançar a meta até 2011. A quantidade de alunos no ensino superior teria que triplicar, diz ele.
Segundo dados da ONG, 85% das matrículas do ensino médio são da rede pública de ensino. A inversão na etapa seguinte, na entrada da faculdade, segundo Ramos, demonstra a baixa qualificação do ensino no país.
— Nas metas do Todos Pela Educação, só 9,8% dos concluintes do ensino médio apreenderam conhecimentos de matemática em todo o país. Agora, se o aluno não sai da escola sabendo o básico, como exigir que ele acompanhe as aulas nas faculdades?
A baixa qualificação vai aparecer como futuras reprovações nas universidades privadas ou como abandono dos cursos nas instituições públicas, afirma Neves.
Uma saída seria o governo federal apostar nos cursos com menor duração, como os tecnológicos, que acompanham bem as demandas do mercado, aponta o presidente-executivo.
Ele ressalta ainda ser necessária uma reforma nas grades curriculares, deixando a conclusão de algumas carreiras dois anos mais curtas.
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