ReproduçãoTrecho do jornal publicado por estudantes de farmácia da USP
11 de Fevereiro de 2012
Autores de periódico distribuído semestralmente vão ser investigados pela faculdade
O periódico, chamado de O Parasita, traz várias piadas de cunho homofóbico e ofensivo.
Ele é preparado semestralmente por estudantes anônimos, que dizem não ter vínculo com a atlética nem com o centro acadêmico. Enviado por e-mail, o jornal traz o nome da USP e da FCF (Faculdade de Ciências Farmacêuticas).
Roseli Trigo, assessora acadêmica da diretoria do curso, afirma que a faculdade desconhecia o jornal.
- O diretor está em viagem, mas conseguimos falar com ele, que nos orientou a reunir o material. Na segunda-feira (26) deve começar uma investigação, e se for necessário vamos acionar a consultoria jurídica da USP.
Procurada pelo R7, a reitoria da USP afirmou, por meio de sua assessoria de imprensa, que não vai se pronunciar. Disse que "a palavra oficial da universidade é a da diretoria da FCF".
Vice-presidente da atlética do curso de farmácia, Agnaldo Rezende afirma que nenhum convite foi cedido para os organizadores de O Parasita e que a promoção não passa de uma brincadeira de mau-gosto. A entidade é responsável pela festa citada na "promoção".
- Acho isso [o jornal] completamente ofensivo. Temos membros e ex-membros da atlética que são gays, nunca houve problema. Esse é um jornal anônimo, preparado por veteranos.
Rezende explica que os estudantes possuem listas de e-mails que recebem esse jornal, e que ele nunca foi pregado nos muros da instituição.
- Há várias piadas internas, comentários feitos em cima de festas. A atlética tem um jornal, chamado de O Cafa, mas que não está sendo impresso no momento.
Centro acadêmico
Os alunos que foram alvos das piadas não gostaram do que foi publicado, afirma o presidente do centro acadêmico, Marcelo Akutagawa. Ele reconhece ser difícil dizer quem são os responsáveis pelo periódico e afirma não conhecer os autores.- Tem gente que encara como brincadeira ou zoação, mesmo que seja algo pesado.
Tanto Akutagawa quanto Rezende são mencionados em piadas na publicação, que tem seis páginas.
O "expediente" do jornal faz referência a dez supostos autores, mas todos são tratados por apelidos. Segundo apurou o R7, há ao menos três pessoas responsáveis pelo jornal.
A Defensoria Pública do Estado de São Paulo enviará a denúncia a uma comissão ligada à Secretaria de Justiça, que vai apurar o caso com base na lei estadual de combate à homofobia. Várias medidas podem ser tomadas, como advertência à universidade.
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