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publicado em 14/11/2009 às 06h00:

Novo reitor da USP promete mudar processo de eleição

João Grandino Rodas sugere que atual reitora apoiou mobilização para tirá-lo da lista de candidatos

Amanda Polato e Ingrid Tavares, do R7
João Grandino Rodas, o novo reitor da USP (Universidade de São Paulo) nomeado pelo governador José Serra nesta sexta-feira (13), afirmou em entrevista exclusiva ao R7 que a mudança do processo eleitoral da universidade será uma das primeiras pautas de reunião do CO (Conselho Universitário).

O diretor da Faculdade de Direito da USP também falou que houve uma mobilização para mantê-lo fora da lista de candidatos à reitoria que seria enviada ao governador José Serra. 

Ele sugeriu que a mobilização teve apoio da atual reitora da USP, Suely Vilela.

Rodas afirma que promoverá uma discussão ampla sobre eleições e poder na universidade ao longo do próximo ano. O objetivo é aumentar a representatividade, tanto de professores quanto de alunos e funcionários.
Protestos promovidos pelo Sintusp (Sindicatos de Funcionários da USP) e por alunos que marcaram os dias de votação criticavam o sistema eleitoral, considerado “antidemocrático” por ter pouca participação da comunidade universitária.

No total, a USP tem cerca de 86 mil alunos, 5.400 professores e 15.200 funcionários. No primeiro turno, apenas 1.924 pessoas estavam aptas a votar. No segundo, era menos ainda - 325.
Confira, a seguir, trechos da entrevista:
R7 - Como o sr. recebeu a notícia de ter sido escolhido o reitor da universidade? O sr. ficou surpreso?
João Grandino Rodas – O trabalho foi muito grande. Eu e meu grupo acreditamos nas propostas e fomos com muita serenidade no momento das eleições. Em nenhum momento fiquei nervoso, nem alegre nem triste.

E sempre acreditei que o processo termina com a escolha do governador. Houve, como todos sabem e já foi noticiado, uma tentativa incrivelmente forte para que eu não saísse na lista [tríplice].

Quando saí em segundo lugar na primeira lista [primeira rodada], houve uma mobilização grande nas seguintes e ficou claro que outros candidatos estavam abençoados pela reitora [Suely Vilela].
 R7
- Mas a reitora não perdeu muita força política este ano?
Rodas – Sim, mas veja os números que já foram noticiados. Em três anos, houve um aumento de 24% no número de docentes no interior e apenas 9% na capital.

Não tenho a administração nas mãos, mas pedras fundamentais foram lançadas nas vésperas da eleição e entre os dois turnos. Ninguém tem certeza, mas há um indício de muito forte de que houve [essa mobilização] e os três candidatos eram a lista tríplice que a reitora queria.

Seria Glaucius [Oliva], [Armando] Corbani e [Ruy Alberto Corrêa] Altafim. Não estou dizendo se isso é ético ou não. Mas que houve, houve.
R7 – Há críticas de que a escolha do sr. como reitor foi mais política do que por projetos. Como o sr. vê isso?
Rodas – Estou há 39 anos na Universidade de São Paulo. Tenho carreira na magistratura, no Itamaraty e fui presidente de uma difícil autarquia – o Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica). Não se pode achar que é amigo do rei uma pessoa que tem 39 anos de experiência, que não fez carreira política. 

Sou desembargador aposentado, juiz por concurso e fui promovido por mérito em vários anos diferentes. Fui nomeado para cargos em governos distintos, como do Itamar Franco [ex-PMDB e atual PPS], Fernando Henrique Cardoso [PSDB] e Luiz Inácio Lula da Silva [PT]. 

É extremamente injusto dizer que [a escolha] foi por política. A experiência administrativa em autarquias e a dimensão internacional da minha atuação pesaram na decisão final. Minha formação em várias áreas também é um diferencial.
R7 – Qual a sua avaliação sobre a mudança do local de eleição para o Memorial da América Latina?
Rodas – Isso de transferir a eleição de um dia para o outro é algo que foi muito criticado. 

E também montar uma praça de guerra com tropa de choque, dessa forma, quando seria melhor algum tipo de proteção extra dentro da própria Cidade Universitária [zona oeste de São Paulo], para não abrir um precedente tão vergonhoso no âmbito universitário brasileiro. 
R7 – Como o sr. procederia nesse caso?
Rodas - Se eu estivesse na reitoria, entraria na Justiça com uma medida provisória chamada interdito proibitório, dizendo que estava sendo planejado um ato para impedir a eleição. 

Notificaria o sindicato para que não fizesse isso, sob pena de desobediência a ordem judicial. Não utilizaria a força pública, nem a interna, mas uma guarda privada específica, simplesmente para impossibilitar que as pessoas fossem impedidas de entrar na reitoria. Isso é uma ordem legítima e seria menos penoso.
R7 – Como professor da Faculdade de Direito, o sr. acredita que o processo eleitoral da USP é antidemocrático?
Rodas – Eu acredito que esse processo precisa ser mudado. Isso é uma coisa que não só eu acredito, como todos os outros candidatos. 

Um dos primeiros assuntos que precisa ser colocado no CO [Conselho Universitário] – e será colocado em 2010 – é o prazo de um ano para uma discussão amplíssima sobre eleições e poder na universidade. 

A minha opinião pessoal – não estou dizendo que vou impor – é que deve haver um aumento de representação das unidades, o que inclui professores, alunos e funcionários. O processo não pode ser mudado às vésperas da próxima eleição. É preciso que haja um meio termo: grandes unidades não podem ter papel desproporcional nas eleições, nem peso igual a unidades com 15 professores, por exemplo. 

Deve haver uma ponderação de forma que o voto da menor unidade não valha tão pouco, nem o voto da maior unidade tenha peso muito maior. Deve-se achar uma nova fórmula.
R7 – Como o sr. avalia a gestão da reitora Suely Vilela?
Rodas – Nesse momento, prefiro não comentar.
R7 – Qual será sua primeira medida ao assumir o cargo de reitor?
Rodas – A primeira coisa que vou fazer, antes do dia 26 de novembro [data em que deve assumir], é uma visita informal à Adusp (Associação dos Docentes da Universidade de São Paulo), ao Sintusp (Sindicato dos Trabalhadores da USP) e ao DCE (Diretório Central de Estudantes), nessa ordem. 

Não para pedir ou reclamar. Mas sim para dizer que a reitoria está aberta e que ela está transparente, que as documentações vão se tornar públicas assim que possível, cada vez mais amplamente na internet, e que o diálogo é aberto. 

Justamente para impedir desculpas como “marquei audiência com a reitora e ela não foi”. Quero instaurar uma reitoria mais simples, uma reitoria mais presente e mais próxima, com o intuito de criar um mínimo de confiança entre esses segmentos. Não se espera que no dia seguinte as coisas mudem. 

Mas existe boa-fé, dignidade no tratamento. Não vai se pedir o mesmo do outro lado, mas a ideia é mostrar uma mudança de atitude.
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USP  eleição  reitor 
 
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