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publicado em 27/11/2009 às 11h00:

Metade das vagas não é preenchida no ensino superior

Em seis anos, número de vagas ociosas nas instituições de ensino dobrou, diz MEC

Rafael Sampaio, do R7

 Quase metade das 3 milhões de vagas oferecidas no ensino superior em 2008 não foram preenchidas, segundo o Censo da Educação Superior divulgado nesta sexta-feira (27) pelo Inep (órgão ligado ao Ministério da Educação). Somando a oferta em instituições públicas e particulares, 1,47 milhão de vagas ficaram ociosas. 

O número corresponde às vagas em cursos presenciais. Se for feita uma comparação de seis anos, o desperdício de oportunidades mais do que dobrou na rede universitária - passou de 567 mil vagas ociosas, em 2002, para 1,47 milhão, em 2008.

A quantidade de vagas ociosas em 2008 é cerca de 10% maior do que em 2007, quando o desperdício era de 1,3 milhão de vagas em todo o país.

As universidades públicas respondem por uma pequena parte deste problema - 36 mil vagas, em dados de 2008. O número, no entanto, representa um aumento de quase 20% com relação a 2007, quando 30,7 mil vagas estavam vazias.

Nas instituições privadas, o número de oportunidades não preenchidas é quase 40 vezes maior do que no setor público: 1,44 milhão de vagas acabaram inutilizadas.

Reynaldo Fernandes, presidente do Inep, afirma que as instituições particulares criam mais vagas do que pretendem oferecer como forma de ter um "banco de vagas" e contornar a burocracia:

- Elas [as particulares] pedem mais do que vão oferecer. Como a liberação de novas vagas pelo ministério está menos burocrática, deve haver correção desse efeito nos próximos anos.

Maria do Carmo Peixoto, professora de educação da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais) e especialista em ensino superior, afirma que o problema no caso das particulares pode estar no crescimento descontrolado das instituições:

— Essa expansão começou no fim dos anos 1990 e não parou mais. O número de vagas ofertadas é maior que o de alunos.

O número de vagas ociosas é maior nos cursos de licenciatura do que em engenharia e medicina, afirma o presidente da ABMES (Associação Brasileira de Mantenedoras do Ensino Superior), Gabriel Mario Rodrigues:

— A quantidade [de vagas] não é um problema, isso varia ano a ano. As instituições precisam ter um resguardo nas vagas que oferecem, então o número é sempre alto na rede particular. Mas em cursos tradicionais, como engenharia e medicina, você raramente vai encontrar esse problema.

O crescimento na rede federal ocorreu através do Reuni (programa do governo para expansão das universidades federais), afirma Maria do Carmo:

— Em um primeiro momento, as vagas [nas universidades federais] aumentaram. No próximo censo, em 2009, é que vamos ver se elas estão sendo preenchidas.

*Colaborou Lais Lis, do R7 em Brasília

 

 
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