11 de Fevereiro de 2012
Valor é referente a impressão dos cadernos; nova prova será aplicada em 45 dias
O MEC (Ministério da Educação) anunciou nesta quinta-feira (1º) que vai gastar entre 20 milhões e 30 milhões de reais a mais com a nova impressão do Enem. O preço total do exame é de R$ 110 milhões, segundo a assessoria de imprensa do ministério. O exame, que aconteceria neste fim de semana no país, foi cancelado por conta de denúncias de vazamento.
Diante da fraude, o ministro da Educação, Fernando Haddad, anunciou ter pedido à PF (Polícia Federal) para investigar o vazamento. Segundo ele, o inquérito já foi instaurado e a PF já designou dois delegados da Superintendência de São Paulo para a investigação.
— Tenho convicção de que vamos chegar aos responsáveis para puni-los exemplarmente.
Para o ministro, o vazamento da prova é "caso de cadeia". Ele afirmou ainda que o processo de segurança vai ser revisto, mas que não é possível afirmar em que ponto do processo o conteúdo da prova vazou.
— O que posso dizer é que no Inep [órgão que realiza as provas] o conteúdo da prova fica dentro de um cofre e com câmeras de segurança que monitoram o local e uma pessoa sozinha não poderia ter entrado sozinha, afirmou Haddad.
O Connase , consórcio firmado no começo do ano para a licitação do Enem e que era responsável pela aplicação da prova, fará uma reunião ainda nesta quinta-feira (1º) para discutir o que poderia ter ocorrido com a segurança e para programar a impressão da nova prova. Não é possível dizer agora se o consórcio será excluído do processo, diz ministro da Educação.
A nova prova do Enem deve ser aplicada em um prazo de aproximadamente 45 dias. Mas Haddad afirmou que o atraso não atrapalhará as universidades públicas que usarão o exame no vestibular.
O diretor do Inep, Reynaldo Fernandes, afirmou acreditar que seja pouco provável que o conteúdo da prova tenha saído de dentro do órgão ou do MEC. Após a elaboração da prova, o Inep repassou o conteúdo digitalizado para o consórcio responsável pela impressão e aplicação do Enem.
— Ninguém do Inep ou do MEC viu a prova, mas pela descrição que nos foi dada a prova estava impressa e ninguém daqui tem acesso à prova impressa, apenas ela digitalizada, afirmou Fernandes.
Quando a fraude foi descoberta as provas já estavam no processo de distribuição, parte do material já havia chegado ou estava a caminho dos 1.260 municípios onde o exame seria aplicado.
A gráfica que imprimiu as provas foi contratada pelo Connase, que foi firmado no começo do ano só para concorrer à licitação do Enem. O Connase é formado por três organizadoras de provas e concursos — Consultec, Funrio e Instituto Cetro.
Cancelamento
O MEC confirmou na manhã desta quinta-feira (1º) o cancelamento das provas do Enem que seriam realizadas no próximo fim de semana, nos dias 3 e 4 de outubro, em 113.857 salas de 10.385 escolas diferentes. A decisão foi tomada porque o conteúdo do exame vazou em São Paulo. O ministério afirma ter outra versão da prova, que deve ser realizada em até 45 dias.
O jornal O Estado de S. Paulo informou ao ministro Haddad que foi procurado na quarta-feira (30) por um homem que disse, ao telefone, ter as duas provas e que as entregaria em troca de R$ 500 mil.
Ao todo, 4,1 milhões de candidatos se inscreveram no exame, que, neste ano, tornou-se requisito para a entrada em pelo menos 40 universidades federais. Além disso, o exame é obrigatório para quem disputa uma bolsa do ProUni (Pograma Universidade para Todos).
Confira pronunciamento do ministro da Educação:
R7 também foi procurado
A reportagem do R7 também foi procurada na quarta-feira (30) por um homem que mostrou um caderno com as supostas questões que seriam cobradas no domingo - uma delas trazia no enunciado a "Canção do Exílio", de Gonçalves Dias, e outra abordava a música "É Proibido Proibir", de Caetano Veloso. O tema da redação era o Estatuto do Idoso.
O caderno trazia selos do Enem, do MEC e do Inep (órgão do ministério que realiza o Enem). Ele foi vazado na última segunda-feira (28) à noite, segundo o grupo que procurou a reportagem. Eles pediram R$ 500 mil para vender os cadernos de prova junto com um dossiê informando como foi feito o vazamento. O R7, no entanto, não se comprometeu com a compra do material.
Dois homens do grupo procuraram a reportagem com os documentos - um deles disse se chamar Fábio. Eles afirmam que "querem levantar dinheiro" e que o documento é legítimo. O documento foi vazado por um agente da Polícia Federal, segundo um dos homens.
- Isso vazou para mim através de um colega que é da PF, de Brasília. Ele tinha cargo dentro do Congresso e perdeu por conta de uma indicação política. É uma forma de se vingar e de levantar dinheiro.
O grupo afirmou que o documento poderia "derrrubar o Enem e o Ministério da Educação". A prova que o grupo mostrou à reportagem tinha 45 questões de matemática, 45 de linguagens e uma redação, exatamente como o modelo que seria aplicado no domingo.
- Sou filho de desembargador, tenho 26 anos e trabalho como auxiliar do Ministério Público. Somos todos trabalhadores, mas isso caiu no nosso colo. Queremos vender para ganhar dinheiro com isso, mas nunca fizemos isso, não temos experiência. Tenho medo da nossa integridade física, porque isso vai derrubar a prova que vale para todas as universidades federais.
O grupo disse ter "amparo legal" de um advogado e cópias do documento registradas em cartório para o caso de serem processados.
- Não tenho como provar, mas o documento vazou para filhos de deputados e diplomatas em Brasília também.
*Com informações do R7 Brasília.
Confira abaixo trechos desta conversa.
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