12 de Fevereiro de 2012
Em 2008, as instituições privadas ficaram com 80% do 1,5 milhão de novos alunos
Segundo dados da ONG, 85% das matrículas do ensino médio são da rede pública de ensino, e não da privada. A inversão na etapa seguinte, na entrada da faculdade, segundo Ramos, demonstra a baixa qualificação do ensino no país.
— Nas metas do Todos Pela Educação, só 9,8% dos concluintes do ensino médio apreenderam conhecimentos de matemática em todo o país. Agora, se o aluno não sai da escola sabendo o básico, como exigir que ele acompanhe as aulas nas faculdades? Essa baixa qualificação vai aparecer como futuras reprovações nas universidades privadas ou como abandono dos cursos nas instituições públicas.
Para Ramos, é preciso equacionar essa diferença para que mais pessoas tenham acesso ao ensino superior a médio prazo. Para ele, uma medida rápida seria o governo apostar nos cursos com menor duração, como os tecnológicos, que acompanham bem as demandas do mercado. Ele aponta ainda uma reforma nas grades curriculares, deixando a conclusão de algumas carreiras dois anos mais curtas.
Dez maiores
Além disso, das dez instituições de ensino com o maior número de matrículas no país, em 2008, oito são particulares. A Unip (Universidade Paulista) lidera o ranking, com 166.601 alunos, seguido da Universidade Estácio de Sá, do Rio de Janeiro, com 115.916, e Uninove (Universidade Nove de Julho), com 93.520.
Consideradas centros de referência no país, a USP (Universidade de São Paulo) aparece apenas na sexta colocação, com 50.508 matrículas, e a Unesp (Universidade Estadual Paulista), com 31.974 alunos, fecha a lista das dez maiores.
Apesar dessa concentração na rede particular, o censo 2008 aponta que as instituições que mais incentivam pesquisas e projetos de extensão são as do ensino público. Enquanto 90% das instituições pagas são faculdades, 6% delas são centros universitários e 4%, universidades; a rede pública se divide entre faculdades (57%) e universidades (40%), basicamente – o restante se refere aos centros universitários, que têm autonomia como as universidades, para criar vagas e cursos sem aval do MEC, por exemplo, mas não atuam na formação de pesquisadores.
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