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publicado em 14/11/2009 às 10h00:

Saiba como universidades de vários países
do mundo escolhem seus futuros reitores

Nenhum aluno ou professor vota nas universidades de Harvard ou Yale, nos EUA

Rafael Sampaio e Amanda Polato, do R7

Após uma semana cheia de reviravoltas na votação para o novo reitor da USP (Universidade de São Paulo), em que o eleito foi segundo candidato mais votado – o diretor da Faculdade de Direito, João Grandino Rodas –, o R7 explica como ocorrem as eleições dos manda-chuvas em universidades espalhadas pelo mundo.

Se as regras já são muito diferentes nas faculdades pelo Brasil e geram dezenas de protestos, o que dizer de outros países?

Foi com essa dúvida que foram ouvidos representantes das universidades de Harvard, Yale (ambas nos Estados Unidos), Buenos Aires (Argentina), Barcelona (Espanha) e Lisboa (Portugal).

Harvard

Mais antiga e tradicional universidade dos EUA, fundada em 1636, Harvard tem uma similaridade com a USP: elegeu sua primeira reitora mulher recentemente.

Mas as semelhanças, além da cor do cabelo, param por aí. Drew Gilpin Faust, eleita para dirigir Harvard em 2007, é historiadora, ao contrário da atual reitora da USP, Suely Vilela, que é professora de ciências farmacêuticas.

Grupo pequeno

A reitora norte-americana foi escolhida para o cargo por um grupo de seis pessoas que compõe a mais alta cúpula da faculdade: o Harvard Corporation.

Esse grupo é renovado sempre que há troca de reitor, cargo que em Harvard é chamado de presidente. Os antigos membros do grupo indicam os novos, inclusive o dirigente máximo.

Os membros do Harvard Corporation podem ser comparados aos pró-reitores de uma grande universidade brasileira, formando um tipo de conselho.

Não há um tempo de mandato estabelecido para o cargo de reitor, afirma o diretor de comunicação da universidade, John Longbrake.

- A aprovação do Harvard Corporation precisa passar por um grupo maior, chamado de Comitê de Supervisão de Harvard. No total, o comitê tem 30 membros, eleitos com votos de todos que um dia já se graduaram na universidade.

O comitê eleito é uma espécie de "Conselho Universitário" de Harvard, com a exceção de que não é composto por professores necessariamente.

Os membros dos dois grupos são escolhidos entre pessoas de notório reconhecimento na sociedade norte-americana - juízes, advogados, políticos e acadêmicos, por exemplo.

Para fazer parte de um dos dois grupos, é obrigatório ter sido graduado em Harvard, afirma Longbrake.

Sem votos

Ao contrário das universidades brasileiras, nenhum professor ou funcionário vota para eleger o reitor em Harvard - exceto se for ex-aluno e tiver renome nos EUA.

Estudantes votarem, então, nem pensar. A única participação destes três grupos está em responder a pesquisas de opinião, realizadas pelo chamado Comitê de Consulta.

O comitê faz entrevistas com a comunidade universitária um ano antes das eleições, em geral. São ouvidos alunos, funcionários, ex-estudantes e outros pelo país afora.

A partir dessas pesquisas de opinião surgem as indicações para o "Conselho Universitário" da faculdade, que vai escolher os novos membros do Harvard Corporation - o "conselho de pró-reitores".

Esse processo parece confuso e pouco democrático, mas existe porque Harvard é uma universidade particular, diz o diretor de comunicação da instituição.

Dez vezes o da USP

O orçamento operacional de Harvard, que gira em R$ 31,1 bilhões (US$ 18 bilhões) neste ano, é dez vezes maior que o previsto para a USP em 2009, de R$ 3 bilhões. O presidente dos EUA, Barack Obama, foi um dos alunos de Harvard - ele estudou direito.


Yale

Situada no Estado de Connecticut, a Universidade Yale tem um sistema de escolha do reitor parecido com o de Harvard.

Estudantes das duas faculdades, aliás, são conhecidos por competirem: há grande rivalidade nos esportes e em termos de política.

O "Conselho Universitário" da Universidade Yale tem 17 membros, sendo que um é o reitor, seis são eleitos por ex-alunos da instituição e outros dez são indicados por seus antecessores.

Conhecido como Yale Corporation, o "Conselho Universitário" é o responsável também por indicar o reitor da instituição quando ocorre mudança de mandato, informa o porta-voz da faculdade, Tom Conroy.

- Os membros do Yale Corporation não são funcionários da universidade em tempo integral. Eles têm profissões na sociedade dos EUA, como engenheiros, juízes etc.

Votos via internet

Segundo o porta-voz, todos os graduados em Yale podem votar nos candidatos a membros do "conselho". A votação ocorre de várias formas, inclusive via internet, e não há apenas um dia de eleição - o processo ocorre durante semanas.

Não é obrigatório ser professor da universidade para ser eleito reitor ou membro do Yale Corporation.

Como em Harvard, estudantes, funcionários e docentes não tem direito a voto em Yale. A universidade é particular

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