DivulgaçãoAs reitoras Suely Vilela, da USP, e Drew Faust, de Harvard: primeiras mulheres eleitas
12 de Fevereiro de 2012
Nenhum aluno ou professor vota nas universidades de Harvard ou Yale, nos EUA
Se as regras já são muito diferentes nas faculdades pelo Brasil e geram dezenas de protestos, o que dizer de outros países?
Foi com essa dúvida que foram ouvidos representantes das universidades de Harvard, Yale (ambas nos Estados Unidos), Buenos Aires (Argentina), Barcelona (Espanha) e Lisboa (Portugal).
Harvard
Mais antiga e tradicional universidade dos EUA, fundada em 1636, Harvard tem uma similaridade com a USP: elegeu sua primeira reitora mulher recentemente.
Mas as semelhanças, além da cor do cabelo, param por aí. Drew Gilpin Faust, eleita para dirigir Harvard em 2007, é historiadora, ao contrário da atual reitora da USP, Suely Vilela, que é professora de ciências farmacêuticas.
Grupo pequeno
A reitora norte-americana foi escolhida para o cargo por um grupo de seis pessoas que compõe a mais alta cúpula da faculdade: o Harvard Corporation.
Esse grupo é renovado sempre que há troca de reitor, cargo que em Harvard é chamado de presidente. Os antigos membros do grupo indicam os novos, inclusive o dirigente máximo.
Os membros do Harvard Corporation podem ser comparados aos pró-reitores de uma grande universidade brasileira, formando um tipo de conselho.
Não há um tempo de mandato estabelecido para o cargo de reitor, afirma o diretor de comunicação da universidade, John Longbrake.
- A aprovação do Harvard Corporation precisa passar por um grupo maior, chamado de Comitê de Supervisão de Harvard. No total, o comitê tem 30 membros, eleitos com votos de todos que um dia já se graduaram na universidade.
O comitê eleito é uma espécie de "Conselho Universitário" de Harvard, com a exceção de que não é composto por professores necessariamente.Os membros dos dois grupos são escolhidos entre pessoas de notório reconhecimento na sociedade norte-americana - juízes, advogados, políticos e acadêmicos, por exemplo.
Para fazer parte de um dos dois grupos, é obrigatório ter sido graduado em Harvard, afirma Longbrake.
Sem votos
Ao contrário das universidades brasileiras, nenhum professor ou funcionário vota para eleger o reitor em Harvard - exceto se for ex-aluno e tiver renome nos EUA.
Estudantes votarem, então, nem pensar. A única participação destes três grupos está em responder a pesquisas de opinião, realizadas pelo chamado Comitê de Consulta.
O comitê faz entrevistas com a comunidade universitária um ano antes das eleições, em geral. São ouvidos alunos, funcionários, ex-estudantes e outros pelo país afora.
A partir dessas pesquisas de opinião surgem as indicações para o "Conselho Universitário" da faculdade, que vai escolher os novos membros do Harvard Corporation - o "conselho de pró-reitores".
Esse processo parece confuso e pouco democrático, mas existe porque Harvard é uma universidade particular, diz o diretor de comunicação da instituição.
Dez vezes o da USP
O orçamento operacional de Harvard, que gira em R$ 31,1 bilhões (US$ 18 bilhões) neste ano, é dez vezes maior que o previsto para a USP em 2009, de R$ 3 bilhões. O presidente dos EUA, Barack Obama, foi um dos alunos de Harvard - ele estudou direito.
Yale
Situada no Estado de Connecticut, a Universidade Yale tem um sistema de escolha do reitor parecido com o de Harvard.
Estudantes das duas faculdades, aliás, são conhecidos por competirem: há grande rivalidade nos esportes e em termos de política.
O "Conselho Universitário" da Universidade Yale tem 17 membros, sendo que um é o reitor, seis são eleitos por ex-alunos da instituição e outros dez são indicados por seus antecessores.
Conhecido como Yale Corporation, o "Conselho Universitário" é o responsável também por indicar o reitor da instituição quando ocorre mudança de mandato, informa o porta-voz da faculdade, Tom Conroy.
- Os membros do Yale Corporation não são funcionários da universidade em tempo integral. Eles têm profissões na sociedade dos EUA, como engenheiros, juízes etc.
Votos via internet
Segundo o porta-voz, todos os graduados em Yale podem votar nos candidatos a membros do "conselho". A votação ocorre de várias formas, inclusive via internet, e não há apenas um dia de eleição - o processo ocorre durante semanas.
Não é obrigatório ser professor da universidade para ser eleito reitor ou membro do Yale Corporation.
Como em Harvard, estudantes, funcionários e docentes não tem direito a voto em Yale. A universidade é particular
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