A estudante de turismo Geisy Arruda, 20, foi expulsa da Uniban (Universidade Bandeirante), após o episódio em que outros alunos da universidade a hostilizaram por usar um vestido curto demais, no dia 22 de outubro.
A instituição de ensino divulga uma nota publicitária em jornais neste domingo (8) em que argumenta que a estudante usava trajes inadequados, indicando “uma postura incompatível com o ambiente da universidade". Diz a nota:
- Apesar de alertada, [a aluna] não modificou seu comportamento.
Entrevistado pelo
R7, o advogado da reitoria da Uniban, Décio Lencioni Machado, afirma que a estudante tinha atitudes provocantes na universidade há um certo tempo e que foi alertada sobre sua postura inadequada mais de uma vez por funcionários e colegas.
- Nesse dia [22 de outubro], temos relatos de que ela levantou o vestido e permitiu que as pessoas vissem suas partes íntimas, se olhassem por trás. Ela circulou pelos corredores assim, chegou a entrar em sala de aula desse jeito.
A expulsão não ocorreu por causa do vestido curto, mas devido a essas atitudes insinuantes, afirma o advogado. Ele diz que a decisão saiu na noite de sexta-feira (6).
A estudante nega ter levantado o vestido e diz que não foi comunicada pela universidade da expulsão.
Geisy diz ainda que vai voltar para a faculdade na segunda-feira (9), mesmo que tenha sido desligada. Ela considerou a decisão "um absurdo" e disse que vai processar a universidade:
- É mais um motivo para eu processar a Uniban. Eles não enviaram nenhuma carta, nem para o meu advogado, estou sabendo disso pela imprensa.
Os outros estudantes envolvidos na agressão a Geisy serão suspensos, diz o texto da nota.
Veja a reportagem do Jornal da Record sobre o caso da Uniban:
Veja a íntegra da nota que será publicada:
RESPONSABILIDADE EDUCACIONAL
A educação se faz com atitude e não com complacência
A Universidade Bandeirante – UNIBAN BRASIL – dirige-se ao público e, especialmente, à sua comunidade acadêmica para divulgar o resultado da sindicância no campus de São Bernardo do Campo sobre o episódio ocorrido no dia 22 de outubro, fartamente exibido na internet e divulgado pelos veículos de comunicação.
A sindicância consoante com o Regimento Interno nos termos do artigo 216, parágrafo 5, e do artigo 207, da Constituição Federal, colheu depoimentos de alunos e alunas, professores, funcionários e da estudante envolvido, além de analisar vídeos e imagens divulgadas.
Os fatos:
Foi apurado que a alune tem freqüentado as dependências da unidade em trajes inadequados, indicando uma postura incompatível com o ambiente da universidade, e, apesar de alertada, não modificou seu comportamento.
A sindicância apurou que, no dia da ocorrência dos fatos, a aluna fez um percurso maior do que o habitual, aumentando sua exposição e ensejando, de forma explícita, os apelos de alunos que manifestavam em relação à sua postura, chegando, inclusive, a posar para fotos.
Novamente, a aluna optou por um percurso maior ao se dirigir ao toalete, o que alimentou a curiosidade e o interesse de mais alunos e alunas, tendo início, então, uma aglomeração em frente ao local.
Depoimentos de colegas indicam que, no interior do toalete feminino, a aluna se negou a complementar sua vestimenta para desfazer o clima que se havia criado.
Foi constatado que a atitude provocativa da aluna, no dia 22 de outubro, buscou chamar a atenção para si por conta de gestos e modos de se expressar, o que resultou numa reação coletiva de defesa do ambiente escolar.
Em seu depoimento perante a comissão, a aluna demonstrou um comportamento instável, que oscilava entre a euforia e o desinteresse, e estava acompanhada de dois advogados e uma estagiária vinculados a uma rede de televisão.
Decisão do Conselho Superior da Universidade:
Diante de todos os fatos apurados pela comissão de sindicância, o Conselho Superior, amparado pelo relatório apresentado e nos termos do Regumento Interno, decidiu, com base no Capítulo IV – Regime Disciplinar, artigos 215 e seguintes:
1.
1. Desligar a aluna Geisy Vila Nova Arruda, do quadro de alunos da instituição em razão do flagrante desrespeito aos princípios éticos, a dignidade acadêmica, e a moralidade.
2. Suspender das atividades acadêmicas, temporariamente,m os alunos envolvidos e deviudamente identificados no incidente.
A UNIBAN reafirma seu compromisso com a responsabilidade social e a promoção dos valores que regem uma instituição de ensino superior, expressando sua posição de aos seus 60 mil alunos injustamente aviltados. Nesse sentido, cabe aqui registrar o estranhamento da UNIBAN diante do comportamento da mídia que, uma vez mais, perde a oportunidade de contribuir para um debate sério e equilibrado sobre temas fundamentais como ética, juventude e universidade.
Para tanto, convida seus alunos e alunas, professores, funcionários, a comunidade e a mídia para um ciclo de seminários sobre cidadania em data a ser oportunamente informada.
Universidade Bandeirante – UNIBAN BRASIL
Imagem da nota publicitária publicada pela Uniban nos jornais