Garota foi xingada por colegas e faculdade diz que vai investigar; especialista vê “falência da educação” no caso
Uma universitária do curso de Turismo da unidade de São Bernardo do Campo (Grande São Paulo) da Uniban (Universidade Bandeirante) resolveu assistir aula na última quinta-feira (22) vestida com uma minissaia e outros estudantes a xingaram.
Ela só conseguiu sair do local após vestir um jaleco branco cedido por alguém da universidade e com a ajuda de policiais militares que ela mesma acionou. O R7 não conseguiu identificar quem ela é e a universidade não divulgou o seu nome.
A Polícia Militar confirmou que foi chamada para atender a uma ocorrência de tumulto entre alunos. No local, os policiais constataram que teriam de escoltar a estudante porque ela usava uma roupa curta. O caso não foi levado para nenhuma delegacia, informou a PM.
Os próprios estudantes filmaram o que aconteceu e disponibilizaram no site Youtube, que já o retirou do ar. A direção da Uniban informou, em nota, que abriu uma sindicância para investigar o que aconteceu já no dia seguinte do fato. Alunos, professores e seguranças e a aluna serão ouvidos.
A instituição disse que pretende aplicar “medidas disciplinares aos causadores do tumulto”. A universidade informou que sua “posição é de total repúdio a qualquer manifestação de preconceito de gênero e qualquer forma de difamação ou violência”.
A Uniban informou que não houve agressões à garota e a violência se restringiu a “manifestações verbais de caráter ofensivo”.
A reportagem do R7 ouviu a psicanalista e doutora em educação pela USP (Universidade de São Paulo) Lisandre Maria Castelo Branco sobre o ocorrido. Ela criticou de modo geral o sistema de educação e disse que as pessoas estão cada vez mais apelativas no “sentido da disposição do corpo, de tatuagem e isto, obviamente, tem sido cada vez mais tolerado e quem se escandaliza é chamado de careta, quadrado ou coisas do tipo”.Lisandre disse que os educadores formais, como os professores, e os informais, os pais e a família, perderam lugar e espaço e que atos têm consequência.
- O que aconteceu foi fruto de uma incompetência formal e informal da educação quando você não educa. E, neste caso, é bem um que você não tem como lidar, a não ser chamando a polícia.