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publicado em 04/11/2009 às 12h50: atualizado em: 04/11/2009 às 15h26

USP investiga suposto plágio de reitora em estudo

Suely Vilela é coautora de um artigo científico, produzido por mais dez pessoas, em que foram usados trechos e imagens de um texto da UFRJ, publicado em 2003

Do R7

 A USP (Universidade de São Paulo) abriu uma investigação para apurar um suposto plágio da reitora Suely Vilela Sampaio com outras dez pessoas. O grupo produziu um artigo científico no ano passado em que foram usados trechos e imagens de um artigo assinado pela professora Angela Hampshire, do Instituto de Microbiologia da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), com outras sete pessoas, em 2003.

Por meio de nota, a reitora da USP afirmou que sua participação no texto foi “na área de isolamento e purificação de toxinas animais, matéria distinta em relação às passagens e imagens questionadas”. A formação e a titulação de Suely é na área de farmácia bioquímica. Segundo o jornal Folha de S.Paulo, os dois trechos e as três imagens feitas com microscópio eletrônico pela UFRJ não foram citados na lista de obras de referências importantes para a conclusão do trabalho da USP.

Suely afirma ainda que o texto, publicado em maio de 2008 pela revista cientifíca Biochemical Pharmacology, é fruto de um doutorado de Carolina Dalaqua Sant’Ana – na época, aluna da USP. A tese, que trata de uma substância da jararaca que pode combater o vírus da dengue, foi orientada pelo professor da Faculdade de Ciências Farmacêuticas de Ribeirão Preto, Andreimar Martins Soares.

Atualmente, como consta em seu currículo Lattes, Carolina presta serviços para uma empresa que faz assessoria toxicológica em São Paulo. Procurada pelo R7, Carolina disse não querer comentar o assunto com a imprensa.

– Já falei com quem tinha que falar e isso já foi esclarecido.

O professor Andreimar Soares, principal autor do trabalho, disse ao site da Adusp (Associação dos Docentes da Universidade de São Paulo) que não houve qualquer tipo de plágio. Ele diz que a aluna deve ter se confundido ao usar as imagens durante apresentações preliminares do trabalho.

– Deixo claro que não houve plágio, e sim que ocorreu um lamentável erro de substituição de figuras pela minha ex-aluna de doutorado. 

Investigação

Na USP, o processo de investigação, chamado de sindicância, é aberto sempre a pedido de dirigentes da instituição, como diretores das faculdades ou a própria reitora. A investigação, feita por uma comissão formada por três pessoas da própria universidade, tem prazo estabelecido de 60 dias, mas pode ser prorrogado se houver necessidade.

Patrícia Verdenha, da consultoria jurídica da USP, diz que o próprio autor do pedido de investigação é quem seleciona os membros da comissão – o aconselhável é que o grupo seja liderado por um advogado, mas isso não é obrigatório.

Depois que acabar a investigação, se for achado um culpado no assunto, é aberto um processo administrativo que pode gerar penas dentro da própria universidade ou até denúncias para órgãos como o Ministério Público ou o TCU (Tribunal de Contas da União).


 
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