12 de Fevereiro de 2012
Informação está no depoimento de empresário que procurou a imprensa; a PF, no entanto, não descarta que isso pode ser um blefe
Agência EstadoO capoeirista e segurança Felipe Pradella, suposto mentor da fraude no Enem 2009, atribuiu o vazamento das provas a "alguém humilde e sem influência na empresa" - referência à gráfica Plural, na qual estavam armazenados os documentos em São Paulo. A informação consta no depoimento à PF (Polícia Federal) do empresário Luciano Rodrigues, dono de uma pizzaria nos Jardins, em São Paulo, que admitiu ter procurado jornalistas para comunicar sobre a violação do sigilo.
Segundo ele, Pradella teria feito esse comentário na noite de terça-feira da semana passada. O segurança estava acompanhado do DJ Gregory Camillo de Oliveira Craid. A dupla procurou Rodrigues, que trabalhou quase 15 anos na área comercial da Agência Estado, para pedir a ele que fizesse a intermediação com a imprensa.
A PF suspeita que a citação a "alguém humilde" pode ser apenas um blefe do segurança, que se identifica como "Fábio".
A PF procura Pradella para interrogá-lo e promover o seu indiciamento pelo vazamento, o que já ocorreu com o dono da pizzaria e com Gregory Craid - ambos foram enquadrados com base nos artigos 325 e 327 do Código de Processo Penal por violação de sigilo funcional. Se o segurança não se apresentar até hoje, a PF pode pedir à Justiça Federal sua prisão.
"Coisa primária"
Os investigadores da PF estão convencidos, nessa etapa do inquérito, que está diante de um grupo de amadores:
- É coisa primária.
O que reforça essa tese, na avaliação dos agentes federais, é o fato de os envolvidos terem procurado repórteres de vários veículos da mídia para tentar vender as provas.
- Só mesmo um idiota iria querer vender notícia para repórter.
Para a PF, o grupo acreditou que poderia levantar "dinheiro fácil". Segundo Gregory, o segurança disse a um jornalista que uma emissora de TV já teria oferecido R$ 500 mil pelas provas:
- Ele (Pradella) queria ver se aumentava o valor.
Luciano Rodrigues, o dono da pizzaria, afirmou à PF que "intermediou o contato de Gregory e Fábio (Pradella) com a imprensa, pois pretendia que fatos graves chegassem ao conhecimento da sociedade".
Ele disse que "não teve qualquer relação com a obtenção da prova nem pretendia ter qualquer ganho com sua divulgação".
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