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A ineficiente máquina de comunicação do governo Bolsonaro

Tendo as redes sociais como  canal de comunicação, o governo não consegue se fazer entender em seu principal projeto: a reforma da Previdência

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Bolsonaro durante vídeo ao vivo nas redes sociais

Bolsonaro durante vídeo ao vivo nas redes sociais

Foto: Reprodução

Ao emular o presidente americano Donald Trump em sua estratégia de comunicação, baseada unicamente em tuítes e postagens em redes sociais, o governo Bolsonaro despreza não só a força da mídia tradicional — grandes emissoras de tevê, sites, rádios e jornais —, mas a capacidade de interlocução com a população de campanhas publicitárias, que podem ser um veículo didático para elucidar a complexa e fundamental reforma da Previdência em seu momento decisivo.

Até agora, com exceção dos esforços do superministro da Economia Paulo Guedes, ninguém do governo foi capaz de intuir a necessidade de se ter um plano de comunicação que contemple os detalhes da reforma e estimule os cidadãos a abraçá-la. O que se vê são milhões de brasileiros no escuro, sem saber como será seu futuro.

Não será com frases curtas, intempestivas e aleatórias de sua "república de tuiteiros" que vai se angariar o apoio da população para um projeto que redefine os rumos do país. Se aprovado, é possível pensar no início da bonança na economia e no despertar de investimentos. Mas para colher seus frutos, o governo precisa explicá-la com eficiência e como mostra pesquisa não tem conseguido nem de longe se fazer entender. O governo brinca com o futuro ao optar por uma única e dispersa forma de expor suas melhores intenções.

Ao optar unicamente pelo twitter e as redes sociais, ferramentas importantes, mas que não devem excluir outros meios, o governo pretensamente quer eliminar intermediários e criar um canal sem interferências para falar diretamente aos brasileiros. Uma estratégia que funcionou na campanha, mas que agora mostra sinais fortes de ineficiência.

A questão é que Bolsonaro eliminou canais tradicionais de comunicação, com que os brasileiros estão acostumados, principalmente em relação a campanhas publicitárias tão comuns e quase sempre eficientes nos governos anteriores.

No intuito de controlar a sua comunicação com rigor e estabelecer um único canal de diálogo, Bolsonaro derrapou em ambições autoritárias e no caos que permitiu até a postagem de um vídeo de conteúdo pornográfico. O presidente tem que entender que o Brasil é um País conservador em seus costumes, característica que sabe-se foi decisiva em sua eleição. Por esse conservadorismo nacional entende-se esperar por explicações claras, mensagens objetivas e não frases soltas salpicadas nas redes sociais. Sob o risco de ver o projeto crucial de seu governo flutuar numa nuvem de incompreensão, o governo Bolsonaro precisa rever imediatamente sua forma de comunicação.

Chega de amadorismo. Já passou da hora de os profissionais assumirem a comunicação do governo.