Bahia Livre, Odebrecht vai cumprir prisão domiciliar em mansão

Livre, Odebrecht vai cumprir prisão domiciliar em mansão

Empresário viajou nesta terça-feira (19) a São Paulo, onde mora no bairro do Morumbi

Livre, Odebrecht vai cumprir prisão domiciliar em mansão

Assim que foi liberado, Marcelo Odebrecht foi ao aeroporto do Bacacheri, para tomar um jatinho particular para São Paulo

Assim que foi liberado, Marcelo Odebrecht foi ao aeroporto do Bacacheri, para tomar um jatinho particular para São Paulo

Estadão Conteúdo

A próxima noite do empresário baiano  Marcelo Odebrecht já será em casa, em um condomínio no bairro do Morumbi, em São Paulo. Ele deixa Curitiba (PR) para cumprir prisão domiciliar ainda nesta terça-feira (19), após dois anos e meio detido.

O executivo saiu da Superintendência da Polícia Federal por volta das 9h30 de hoje e foi para a Justiça Federal, para uma audiência com a juíza de execuções penais e para que fosse colocada a tornozeleira eletrônica.

A audiência começou perto das 11h e durou cerca de duas horas. Assim que foi liberado pela Justiça Federal, Marcelo Odebrecht foi ao aeroporto do Bacacheri, para tomar um jatinho particular para São Paulo.

Imagem aérea da casa em que Marcelo vai cumprir recolhimento domiciliar

Imagem aérea da casa em que Marcelo vai cumprir recolhimento domiciliar

Reprodução / RecordTV

Além da tornozeleira, Odebrecht terá restrições, como o número de pessoas que poderão visitá-lo: 15, todas previamente cadastradas junto à Polícia Federal. Advogados do empresário também poderão acessar a casa, sem entrar nessa conta.

A mansão onde o empresário mora tem 3.000 m², piscina, área de lazer e fica em um dos condomínios mais exclusivos de São Paulo.

A saída da cadeia só foi possível após um acordo de delação premiada. No entanto, Odebrecht só poderá andar livre pelas ruas após 2025. O empresário também está proibido de ocupar qualquer cargo na empresa que administrou até ser preso, há 30 meses.

Advogados fizeram plantão

Advogados de Marcelo Odebrecht trabalharam na segunda-feira (18) para garantir que o empresário conseguisse deixar o regime fechado nesta terça-feira (19) - prazo previsto em seu acordo de colaboração premiada — após cumprir pena de dois anos e seis meses de prisão.

A soltura estava atrelada a entrega de uma série de documentos solicitados pelo Ministério Público Federal - o material foi entregue, segundo apuração da reportagem. A saída de Odebrecht está prevista para às 13h desta terça.

"A própria Justiça concordou com os termos quando ele foi assinado. Como a previsão do acordo é aquele seja solto amanhã [hoje, terça], estamos aguardando que isso seja cumprido", disse advogado Nabor Bulhões ao sair do prédio da PF onde acabara de entregar para a juíza Carolina Lebbos, responsável por acompanhar a execução da pena de Marcelo, uma série de documentos solicitados pelo MPF.

Na sexta-feira passada, a força-tarefa da Lava Jato cobrou a defesa de Marcelo Odebrecht para que apresentasse "documentos faltantes" — extratos de contas, valores de bens móveis e imóveis, por exemplo — à 13ª Vara Federal, em Curitiba responsável pela execução penal do empreiteiro.

A Procuradoria da República queria avaliar se o empresário estava fazendo "jus aos benefícios" de seu acordo de delação premiada e se, por consequência, poderia mudar de regime de cumprimento de pena.

A defesa ficou no local por cerca de 20 minutos. Na saída, o advogado Nabor Bulhões apontou os "dois maiores objetivos" do empreiteiro. "Ele está preocupado com dois pontos: primeiro, voltar para a família, segundo, ser efetivo na colaboração dele como ele vem sendo efetivo na colaboração com a Justiça. São os dois maiores objetivos dele", afirmou.

Além dos pontos citados por Bulhões, o herdeiro da família Odebrecht terá de enfrentar as arestas criadas com seus parentes mais próximos ao longo do processo de prisão e de negociação e assinatura da colaboração premiada. Descontente com sua pena e com a decisão do pai, Emílio Odebrecht, em aceitar os termos do acordo, Marcelo rompeu com o patriarca do clã, com a irmã e o cunhado, o diretor jurídico da empresa Maurício Ferro.

Último dia

A rotina de Marcelo no último dia em regime fechado foi a mesma: acordar, se exercitar e comer salada, arroz, feijão e uma proteína no almoço. A possibilidade da saída do empresário tampouco alterou o funcionamento do prédio Polícia Federal, em Curitiba.

Dezenas de pessoas que adentraram ao edifício de três andares, no bairro Santa Cândida, só queriam saber de um assunto: onde ficava o guichê do passaporte. A presença do preso mais famoso do local e as movimentações de seus advogados passaram despercebidas.

Acordo

Marcelo Odebrecht foi preso pela Polícia Federal em 19 de junho de 2015, na Operação Erga Omnes, 14ª fase da Lava Jato, e condenado a 19 anos e 4 meses de prisão pelo juiz federal Sérgio Moro. Ao fechar seu acordo de delação premiada, o empreiteiro obteve o benefício de deixar o regime fechado após 2 anos e 6 meses de prisão. Ao todo, o empreiteiro vai cumprir 10 anos de pena por lavagem de dinheiro e associação criminosa.

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