gre pm bahia6 g 20120206 Bahia em pé de guerra às vésperas do Carnaval

Lucio Távora/Agência A Tarde/AE

Em lugar de blocos e trios elétricos, há tanques e tropas desfilando pelas ruas de Salvador. Na semana que antecede o Carnaval, sua maior festa popular, a Bahia continua em pé de guerra e não há nenhum desfecho pacífico à vista para a greve da Polícia Militar deflagrada terça-feira passada, quando o governador Jaques Wagner estava em Cuba.

Até a hora em que começo a escrever, 10h desta segunda-feira, 89 pessoas já foram assassinadas e cerca de 450 escolas da rede privada no Estado continuam sem aulas. A tropa de choque da PM acaba de se juntar às tropas do Exército, da Força Nacional e da Polícia Federal no cerco ao prédio da Assembleia Legislativa da Bahia, onde se homiziaram os revoltosos, e que pode ser invadido a qualquer momento.

Não se sabe ao certo o número dos que estão lá dentro, muitos deles armados. Doze lideres do movimento estão com prisão decretada pela Justiça e até agora só um deles foi preso.

Pouco antes, um grupo de policiais militares acompanhado de familiares tentou furar o bloqueio a bordo de um jipe e foi contido com balas de borracha e gás de pimenta pela tropa de paraquedistas do Exército.

O prédio da Assembleia Legislativa pode ser ocupado a qualquer momento pelas forças federais. O líder dos policiais rebelados, ex-soldado Marco Prisco Caldas Nascimento, mandou avisar, por meio do seu porta-voz, Waldeck Filho, que a ordem é resistir até o fim. "Vai acontecer uma chacina aqui e o responsável é Jaques Wagner", disse o assessor aos jornalistas.

O impasse continua. Em entrevista à Folha publicada na edição de hoje, Jaques Wagner não admite reabrir negociações com os grevistas que rejeitaram o aumento de 6,5% e reivindicam um salário de R$ 2.685 (ganham atualmente R$ 2.173), além de anistia para os líderes do movimento e diversas gratificações.

Sou velho amigo de Wagner desde a primeira campanha presidencial de Lula, em 1989, sei das dificuldades que está enfrentando, mas não dá para deixar de criticá-lo por permitir que a situação tivesse chegado a este ponto.

Ex-líder sindical, não é possível que o governador não estivesse informado sobre o barril de pólvora armado pelos policiais militares às vésperas do Carnaval quando embarcou para Havana, acompanhando a presidente Dilma Rousseff, na segunda-feira passada. No dia seguinte, a assembleia dos policiais decretou greve, que já conta com o apoio de um terço da categoria.

O governador só voltou na madrugada do dia 2, quinta-feira, quando Salvador já tinha se transformado numa praça de guerra. "Não vou dar anistia nem negociar com PM bandido", garante Jaques Wagner, no que pode ter todas as razões do mundo, mas não resolve o problema.

Deveria ter negociado e tomado providências antes, como bem sabe por sua formação sindical e a experiência de 2001, quando houve a primeira grande rebelião da PM. Naquela época, Wagner estava na oposição e ajudou a negociar o final da greve, como lembrou na entrevista.

Outros Estados já enfrentaram o mesmo problema de policiais em greve nos últimos meses, mas sem chegar à gravidade da situação na Bahia. "Esse movimento tem esse caráter nacional: tem uma direção nacional, uma cartilha cujo objetivo é a votação da PEC-300" (emenda que estabelece um piso salarial nacional para a polícia).

Se isto é correto e já era sabido, mais um motivo para que se evitasse a greve. De nada adianta agora lembrar que o principal líder dos revoltosos, Marco Prisco, que tem até porta-voz, foi expulso da PM após a greve de 2001 e agora é filiado ao PSDB. Em outros tempos, como bem sabe Jaques Wagner, os líderes grevistas eram ligados ao PT. Parece aquela velha história do feitiço que se virou contra o feiticeiro.

Que fazer agora que já se ouve o batuque dos tamborins? Os baianos e os forasteiros que chegam assustados a Salvador querem mais é que esta guerra acabe logo para que a grande festa possa começar. Faltam poucos dias.

Saravá!

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