CPI da Covid

Brasil À CPI, médica barrada pelo Planalto critica tratamento precoce

À CPI, médica barrada pelo Planalto critica tratamento precoce

Luana Araújo diz que discussão é esdrúxula e cria falsa sensação de segurança. Infectologista defendeu o diagnóstico precoce

  • Brasil | Do R7

A médica Luana Araújo, que Queiroga desistiu de nomear ao Ministério da Saúde

A médica Luana Araújo, que Queiroga desistiu de nomear ao Ministério da Saúde

Jefferson Rudy/Agência Senado - 02.06.2021

A médica infectologista Luana Araújo falou à CPI da Covid nesta quarta-feira (2) teceu duras críticas ao tratamento precoce, defendido pelo governo como forma de combate à covid-19 na fase inicial da doença.

Durante aproximadamente sete horas, Luana explicou que foi dispensada de forma repentina, mas não saber por que seu nome foi barrado pelo Palácio do Planalto. Ela ocuparia o cargo de secretária extraordinária de Enfrentamento à Covid. A origem do veto teriam sido suas críticas anteriores ao uso de cloroquina e outros medicamentos para o tratamento da infecção. 

Nesta quarta, as críticas foram reforçadas. Para a infectologista a discussão "é delirante, esdrúxula, anacrônica e contraproducente". "Ainda estamos discutindo uma coisa sem cabimento. É como se estivéssemos discutindo de qual borda da Terra plana vamos pular", afirmou em crítica ao negacionismo que refuta informações produzidas pela ciência.

A médica apontou que estudos científicos sólidos detectaram um risco de elevação da mortalidade em 77% com o tratamento precoce e que propagá-lo gera uma falsa sensação de segurança na população, contribuindo para o aumento de casos.

"Quando as pessoas consideram que existe uma coisa que é rápida, fácil, barata e substituiria todo o processo de educação de hábitos de usar máscara, lavar mãos, de distanciamento, que exige uma compreensão básica do processo (...), é muito mais simples 'medicalizar' tudo", disse.

Ela opinou que as falsas teses encontram terreno fértil na população em situação de desespero e que precisa sair para trabalhar para sobreviver. Ela pregou o diagnóstico precoce como uma estratégia de impacto de saúde e também econômico. A ideia defendida é a testagem em massa e isolamento de casos no início da infecção, reduzindo a disseminação da pandemia.

A médica disse ainda que, se o "kit covid" fosse eficiente, o país não teria os atuais números.  Até terça-feira (1º), 467.706 tinham morrido da doença.

Governo

Araújo elogiou o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga. Sem citar nomes, porém, afirmou ver falta de coordenação e compreensão no enfrentamento à pandemia. 

Ela citou a defesa feita por integrantes do governo de que os médicos devem ter autonomia para receitar medicamentos, havendo anuência do paciente. Para Araújo, "autonomia médica não é licença para experimentação".

A médica disse ter sentido impacto emocional quando a CPI exibiu vídeo com frases polêmicas do presidente Jair Bolsonaro durante a pandemia, como quando usou termos como "gripezinha", "não sou coveiro" e que o Brasil não poderia ser um "país de maricas".

"A mim me dói”, afirmou a médica, que pediu para não personificar sua análise. "Não é possível ouvir uma declaração, ou um conjunto de declarações de quem quer que seja nesse momento, não estou personalizando na figura do presidente, sem sofrer um impacto quase que emocional", disse.

Últimas