Acre decreta calamidade pública e interior tem toque de recolher

Sistema de saúde pública de Rio Branco opera praticamente no limite esta semana, com apenas uma vaga entre os dez leitos disponíveis de UTI 

Testes realizados no Laboratório de Biologia Molecular Charles Mérieux, no Acre

Testes realizados no Laboratório de Biologia Molecular Charles Mérieux, no Acre

Odair Leal/Secom

Diante do avanço do novo coronavírus, o governo do Acre decretou situação de calamidade pública e municípios do interior do Estado já têm toque de recolher. A medida de calamidade foi determinada em edição extra do Diário Oficial nesta quinta-feira (23) pelo governador Gladson Cameli (PP).

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O sistema de saúde pública da capital do Acre, Rio Branco, já vem operando praticamente no limite. Na quarta, 22, apenas um dos dez leitos de UTI estava vago. No total, o Estado possui 77 leitos de UTI. Destes, 56 estão ocupados.

De acordo com o último boletim da Secretaria de Estado de Saúde, o Acre tem 214 casos confirmados da covid-19. Rio Branco concentra a maior parte, 172 casos. Outros 289 estão em análise. Dez pessoas morreram pela covid-19 desde o início da pandemia no Estado. As duas últimas mortes foram registradas nesta quinta-feira, 23, em Rio Branco: um homem de 68 anos e uma mulher de 79.

No interior, a situação mais grave é registrada em Plácido de Castro, município que faz fronteira com a Bolívia. São 21 casos confirmados. Os pacientes mais graves do município são transferidos para a capital, distante 95 quilômetros.

Na segunda maior cidade do Acre, Cruzeiro do Sul, há cinco casos confirmados. No Hospital do Juruá, a unidade de referência do Vale do Rio Juruá (extremo oeste do Estado e do país), há apenas dois leitos de UTI disponíveis para atendimento a pacientes com a covid-19. Na região, que envolve outros cinco municípios (incluindo um do Amazonas), vivem aproximadamente 200 mil pessoas.

Toque de recolher

Em cidades como Acrelândia, Tarauacá e Plácido de Castro, as prefeituras estabeleceram o toque de recolher. Ninguém pode andar nas ruas entre oito da noite e cinco da manhã. "Para cada caso confirmado pode haver pelo menos três não diagnosticados. Aqui no Acre certamente há entre 600 e 800 pessoas infectadas", estima o infectologista Thor Dantas. "Para cada 10, dois vão precisar ir para o hospital e para cada 40, dois podem precisar de UTI."

A situação entre os profissionais de saúde também preocupa. Em Rio Branco, sete profissionais tiveram diagnóstico confirmado para o novo coronavírus. Doze estão com suspeita de estarem doentes.

"A situação é grave para os cerca de 500 profissionais da linha de frente aqui na capital", diz o presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Saúde do Acre, Adaílton Cruz. "Até o diretor do Samu testou positivo para a doença."