Operação Lava Jato
Brasil Advogados que atuaram em esquema da Petrobras são alvo de fase da Lava Jato

Advogados que atuaram em esquema da Petrobras são alvo de fase da Lava Jato

Operação Abate II cumpriu mandados em Salvador, Brasília e Cotia (SP)

Advogados que atuaram em esquema da Petrobras são alvo de fase da Lava Jato

Foram cumpridos mandados de busca e apreensão

Foram cumpridos mandados de busca e apreensão

Paulo Whitaker/Reuters

A Polícia Federal deflagrou na manhã desta quarta-feira (23) a 45ª fase da Lava Jato, batizada de Operação Abate II. Foram cumpridos 4 mandados de busca e apreensão nas cidades de Salvador (BA), Brasília (DF) e Cotia (SP). Entre os alvos está Tiago Cedraz, filho do ministro Aroldo Cedraz, do TCU (Tribunal de Contas da União).

A primeira fase da Abate prendeu o ex-deputado Cândido Vaccarezza na última sexta-feira (18). O ex-parlamentar foi solto nesta terça-feira (22).

A PF seguiu a mesma linha de atuação da última fase da investigação e identificou a participação de novos interlocutores que atuaram junto a Petrobras para favorecer a contratação de empresa privada e remunerar indevidamente agentes públicos.

De acordo com novos elementos colhidos na investigação policial, dois advogados participaram de reuniões nas quais o esquema criminoso, com o pagamento de propinas a agentes da Petrobras, teria sido planejado. Paralelamente, teriam recebido comissões pela contratação de empresa americana pela empresa petrolífera, mediante pagamentos em contas mantidas na Suíça em nome de empresa offshore.

Na investigação também se detectou a participação de um ex-deputado federal e sua assistente na prática dos crimes e no recebimento de pagamentos indevidos.

Moro bloqueia R$ 6 milhões de Tiago Cedraz

O juiz federal Sérgio Moro decretou o bloqueio de R$ 6 milhões dos advogados Tiago Cedraz e Sérgio Tourinho Dantas, ambos investigados na Operação Abate II, fase 45 da Lava Jato. A medida foi adotada a pedido da Polícia Federal e da Procuradoria da República em Curitiba, base da Lava Jato, sob argumento de que Cedraz e Tourinho fazem parte de "esquema criminoso" instalado na Petrobras.

O valor do bloqueio seria referente à comissão que os advogados receberam na contratação da empresa americana Sargeant Marine pela Petrobras.

"Viável o decreto do bloqueio dos ativos financeiros dos investigados em relação aos quais há, em cognição sumária, prova de pagamento ou recebimento de propina", assinalou Moro. Para o magistrado, "não importa se tais valores, nas contas bancárias, foram misturados com valores de procedência lícita. O sequestro e confisco podem atingir tais ativos até o montante dos ganhos ilícitos", escreveu Moro em sua decisão.

No despacho, o juiz da Lava Jato observa que Sérgio Tourinho Dantas e Tiago Cedraz Leite Oliveira seriam, de acordo com a PF, as siglas "ST" e "TC" que constam de planilhas de distribuição de propinas e que foram apreendidas.

"Embora Sérgio Tourinho Dantas e Tiago Cedraz Leite Oliveira sejam advogados, a imunidade profissional não abrange suas atividades, já que aqui há indícios, em cognição sumária, de sua participação em esquema criminoso que envolveu o pagamento de vantagem indevida", decidiu Moro.

"Resolvo decretar o bloqueio das contas dos investigados até o montante de seis milhões de reais, correspondente aproximadamente ao montante total pago pela Sargeant Marine a título de comissão. Ainda que eles (Cedraz e Tourinho) tenham recebido somente parte dos valores, sua participação no esquema criminoso torna-os, em princípio, responsáveis pelo todo".

O juiz anotou que a medida apenas gera o bloqueio do saldo do dia constante nas contas ou nos investimentos, não impedindo, portanto, continuidade das atividades das empresas ou entidades — considerando aquelas que eventualmente exerçam atividade econômica real.

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