AGU teve acesso privilegiado a vídeo de reunião, reclama defesa de Moro

Rodrigo Rios afirma que as transcrições de trechos do vídeo mostram que a Advocacia-geral da União teve um acesso privilegiado ao material

Vídeo é referente a reunião ministerial de 22 de abril no Palácio do Planalto

Vídeo é referente a reunião ministerial de 22 de abril no Palácio do Planalto

Marcos Corrêa/PR 22.04.2020

O advogado responsável pela defesa do ex-ministro da Justiça Sérgio Moro reclamou nesta quinta-feira (14), que a AGU (Advocacia-Geral da União) teve acesso privilegiado ao vídeo da reunião ministerial do último dia 22 de abril no Palácio do Planalto.

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Rodrigo Rios, advogado que coordena a defesa do ex-ministro afirma que, "foram surpreendidos com a petição da AGU, em favor do presidente da República, no inquérito junto ao STF.  A transcrição parcial revela disparidade de armas, pois demonstra que a AGU tem acesso ao vídeo, enquanto a defesa de Sérgio Moro não tem".

A reclamação ocorre após trechos literais transcritos das falas de Bolsonaro na reunião serem incuídos em uma petição protocolada pela AGU na tarde desta quinta no STF (Supremo Tribunal Federal) terem sido divulgados.

AGU, Moro e a PGR (Procuradoria Geral da República) assistiram ao vídeo em conjunto na última terça-feira (12) e não puderam realizar gravações deste material, e a transcrição dele ainda não havia sido liberada pela PF.

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"A petição contém transcrições literais de trechos das declarações do Presidente, mas com omissão do contexto e de trechos relevantes para a adequada compreensão do que ocorreu na reunião –inclusive, na parte da 'segurança do RJ', do trecho imediatamente precedente. De todo modo, mesmo o trecho literal, comparado com fatos posteriores, como a demissão do diretor-geral da PF, a troca do superintendente da PF e a exoneração do ministro da Justiça, confirma que as referências diziam respeito à PF e não ao GSI. A transcrição parcial busca apenas reforçar a tese da defesa do presidente, mas reforça a necessidade urgente de liberação do vídeo na íntegra", afirmou Rodrigo Rios por meio de nota.