STF

Brasil Alguém compraria um carro de Moro ou Deltan, questiona Gilmar 

Alguém compraria um carro de Moro ou Deltan, questiona Gilmar 

Ministro disse que condutas da Lava Jato representaram "tribunal de exceção" e criticou voto de Nunes Marques a favor de Moro

  • Brasil | Do R7

O ministro Gilmar Mendes, do STF

O ministro Gilmar Mendes, do STF

Youtube/Reprodução 23.03.2021

O ministro Gilmar Mendes, do STF (Supremo Tribunal Federal), criticou nesta terça-feira (23) condutas da Operação Lava Jato e questinou se os colegas da Segunda Turma comprariam um carro do ex-juiz Sergio Moro ou do procurador Deltan Dallagnol. Ele participa do julgamento do pedido de defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que alega que Moro agiu de forma parcial para condená-lo em processo sobre o tríplex do Guarujá. 

"Algum dos senhores aqui compraria um carro do Moro? Algum dos senhores hoje seria capaz de comprar um carro do Dallagnol? São pessoas de confiança? Alguém o contrataria como advogado nessas circunstâncias, tendo agido dessa forma?", questionou o ministro.

A ação julgada pela Segunda Turma foi movida pela defesa do ex-presidente. Os advogados apontam diversas ações de Moro para justificar a tese de suspeição, como o grampo feito no escritório de defesa do ex-presidente e a condução coercitiva para depoimento em 2016 sem que Lula tivesse sido intimado previamente.

Gilmar afirmou que a Lava Jato atuou como um "tribunal de exceção". "O tribunal de Curitiba é conhecido mundialmente como um tribunal de exceção. Enche-nos de vergonha", disse. "A desmoralização da Justiça já ocorreu", afirmou o magistrado.

Mendes criticou o voto do ministro Nunes Marques, feito também nesta terça, e que levou o placar do julgamento da suspeição de Moro para 3x2 contra a tese. Todos os cinco ministros da Segunda Turma já votaram, mas a ministra Cármen Lúcia, que havia se manifestado no início do julgamento, em 2018, afirmou que teria um novo voto para ler. Se ela mudar seu entendimento, o placar será revertido em 3x2 a favor da suspeição de Moro.

O ministro elevou o tom e rebateu teses de Marques. Na bronca ao novo membro do Supremo, Gilmar Mendes afirmou que habeas corpus é sim mecanismo para questionar a suspeição de um juiz. E que as gravações de conversas entre Moro e procuradores da Lava Jato, obtidas por hackers, não são a base de sua convicção sobre a parcialidade de Moro, apenas corroboram a tese. 

"Nada de conversa fiada, coisa de hackers. Estamos falando de coisas que estão nos autos", afirma.

Últimas