Aliado de Dilma, ministro interino da Transparência diz que 'aguarda decisão' de Temer

Carlos Higino era chefe da CGU durante governo da presidente Dilma Rousseff

Carlos Higino era o chefe da extinta CGU

Carlos Higino era o chefe da extinta CGU

Valter Campanato/Agência Brasil

O ex-ministro do governo da presidente afastada Dilma Rousseff Carlos Higino, que foi alçado na segunda-feira (30) interinamente ao posto de ministro da Transparência, Fiscalização e Controle no lugar do demissionário Fabiano Silveira, disse que "aguarda uma decisão do presidente Michel Temer" para saber se continua no cargo. "Com a saída de Fabiano, assumo automaticamente, mas agora a decisão é do presidente", disse Higino, que afirmou não ter conversado com Temer.

Higino ocupou interinamente o comando da Controladoria-Geral da União (CGU) durante o governo de Dilma e já havia entregado sua carta de demissão quando Fabiano Silveira assumiu. Sua exoneração, no entanto, não havia sido publicada.

Após o desgaste de ontem com a saída de Silveira, a informação de fontes do Planalto era de que Higino assumiria num primeiro momento e que depois o secretário interino da pasta, Marcio Tancredi, seria nomeado para o posto. A nomeação de Tancredi também seria de forma interina, até uma definição oficial por parte do presidente em exercício, Michel Temer. Procurado, Tancredi disse ainda não saber se será nomeado interinamente ou não.

Silveira pediu demissão do cargo nesta segunda-feira após ter áudios de conversas com ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado divulgados no domingo (29) pelo programa televisivo Fantástico.

Nas conversas, ocorridas há cerca de três meses, quando Silveira ainda era do CNJ (Conselho Nacional de Justiça), ele aconselha Machado e o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), a respeito de como deveriam agir em relação às investigações da Operação Lava Jato, da Polícia Federal.

O agora ex-ministro enviou carta de demissão e telefonou para Temer com o intuito de oficializar o seu pedido para deixar o cargo. Temer, que até então vinha afirmando que o manteria na pasta, acatou o pedido. Na carta, Silveira diz ter sido alvo de "especulações insólitas".