Brasil Apesar de baixa adesão, grevistas fecham rodovias, param ônibus e prejudicam milhões de trabalhadores 

Apesar de baixa adesão, grevistas fecham rodovias, param ônibus e prejudicam milhões de trabalhadores 

Sindicatos se reúnem hoje em São Paulo para fazer balanço dos protestos da quinta-feira (11)

  • Brasil | Do R7

Protestos provocaram três pontos de interdição na rodovia Dutra

Protestos provocaram três pontos de interdição na rodovia Dutra

Cláudio Vieira/11.07.2013/Abcdigipress/Estadão Conteúdo

A participação de grevistas que aderiram ao Dia Nacional de Luta, promovido pelas centrais sindicais na última quinta-feira (11), ficou abaixo do esperado pela polícia e pelo povo nas principais capitais brasileiras. Em São Paulo, o metrô circulou normalmente. No Rio de Janeiro, poucas escolas não tiveram aulas. Em Brasília, apenas um quinto dos manifestantes esperados foram às ruas.  

Mesmo assim, os poucos protestos espalhados pelo País interditaram o tráfego de veículos em algumas rodovias, impediram a circulação de ônibus em algumas capitais, provocaram o fechamento do comércio e de bancos. As manifestações causaram transtornos ao brasileiro, que encontrou dificuldades para chegar ao trabalho ou em casa de transporte público.

Em Belo Horizonte, por exemplo, pelo menos 400 mil pessoas não conseguiram usar o transporte público e foram prejudicadas pelo protesto. Em Porto Alegre, os ônibus sequer saíram das garagens. Já em Vitória, lojas e supermercados fecharam mais cedo com medo de vandalismo. 

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Nesta sexta-feira (12), as centrais sindicais marcaram uma nova reunião para fazer um balanço das manifestações de ontem. Os sindicatos também vão avaliar a possibilidade de marcar um novo dia de paralisações ou até mesmo uma greve geral. O encontro será às 11h, na sede da Força Sindical.  

Veja os reflexos das manifestações em dez cidades brasileiras: 

São Paulo (SP)

As manifestações em São Paulo no Dia Nacional de Luta reuniram 7.000 pessoas na avenida Paulista, segundo estimativa feita pela Polícia Militar. Os manifestantes interditaram os dois sentidos da via durante cerca de três horas na tarde. O ato na avenida Paulista foi encerrado por volta das 15h.

No começo da manhã, manifestantes ocuparam faixas das rodovias Anchieta, Presidente Dutra, Anhanguera, Castello Branco, Raposo Tavares e Mogi-Bertioga. Durante a manhã, também foram fechadas todas as lojas da rua 25 de março, maior centro comerciário da América Latina. 

Apesar dos protestos, a cidade registrou trânsito abaixo da média durante todo o dia. O funcionamento dos serviços de transporte público como ônibus, metrô e trem não foi afetado.

Protestos Brasil

Protestos Brasil

Tânia Rêgo/11.07.2013/ABr

Rio de Janeiro (RJ)

Na capital fluminense, o protesto que levou milhares de pessoas às ruas transcorreu, durante quase todo o tempo, de maneira pacífica e sem quebra-quebra. Houve casos isolados de confrontos entre policiais e integrantes da marcha. No final da noite, a polícia e um grupo de cem pessoas entraram em confronto no centro da cidade. Pelo menos, dez pessoas foram presas.

A Secretaria Municipal de Educação informou que apenas 20 das 1.429 escolas do Rio (1,3%) não tiveram atendimento no turno da manhã desta quinta-feira (11) e que 8,1% dos professores municipais e 2,1% dos profissionais de apoio não trabalharam no turno da manhã.

Carteiros do Rio de Janeiro fizeram uma paralisação de 24 horas

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Tânia Rêgo/11.07.2013/ABr

A ausência na Secretaria Estadual foi bem menor. Segundo a assessoria de imprensa, todas as escolas da rede funcionaram normalmente nesta quinta-feira e apenas 124 docentes — 0,1% do total — faltaram ao trabalho. O sistema de transportes públicos também operou sem alterações na quinta-feira.

Belo Horizonte (MG)

Cerca de 410 mil pessoas ficaram sem transporte público na capital mineira por causa dos transtornos causados pelos grevistas. Apenas o metrô não circulou durante todo o dia, desrespeitando liminar do TRT (Tribunal Regional do Trabalho) que estipulava multa de R$ 50 mil ao Sindicato dos Metroviários. Segundo a CBTU (Companhia Brasileira de Trens Urbanos), 215 mil passageiros que usam os trens diariamente foram prejudicados.

Durante a manhã, usuários de quatro estações de ônibus de Belo Horizonte foram surpreendidos com a falta de coletivos. Cerca de 194 mil pessoas foram afetadas, segundo a BHTrans. No início da tarde, a situação foi normalizada. 

Outras categorias apoiaram o movimento com paralisações parciais, como os bancários, professores da rede estadual de ensino, hospitais e fábricas.

Brasília (DF)

Com expectativa de participação de 5.000 pessoas no Dia Nacional de Lutas, o protesto em Brasília teve apenas mil manifestantes, segundo a Polícia Militar do Distrito Federal. A estimativa de público — de 5.000 pessoas — havia sido projetada pela CUT-DF (Central Única dos Trabalhadores do DF). 

Nesta quinta-feira, os manifestantes saíram da Catedral de Brasília e seguiram até o Congresso Nacional, ocupando as seis faixas do Eixo Monumental, o que atrapalhou o trânsito.  

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Jose Cruz/11.07.2013/ABr

Porto Alegre (RS)

Na capital gaúcha, o Sindicato dos Rodoviários decidiu manter a paralisação depois de reunião realizada nesta quinta-feira (11) entre representantes da entidade e a prefeitura. Por causa da greve geral convocada por centrais sindicais, os ônibus coletivos da capital gaúcha não saíram das garagens e, até o fim da tarde, desta quinta, não havia previsões para a normalização do sistema.

Recife (PE)

Por conta das manifestações, os comerciantes da avenida Conde de Boa Vista, no centro de Recife (PE), decidiram fechar as portas dos estabelecimentos mais cedo. Eles temiam tumultos na região, por onde passou a passeata do Dia Nacional de Lutas. O shopping Boa Vista também fechou. Não houve registro de violência ou vandalismo.

Campo Grande (MS)

Funcionários públicos federais, carteiros, agentes penitenciários e trabalhadores da Fundação Nacional de Saúde foram às ruas pedir a revisão do plano de cargos e salários na capital do Mato Grosso do Sul. Os professores também aderiram à caminhada para pedir a aprovação do PNE (Plano Nacional de Educação), que ainda aguarda aprovação no Congresso Nacional.

Vitória (ES)

A capital do Espírito Santo também teve a rotina alterada por conta da agenda promovida pelas centrais sindicais. A maior parte das lojas e supermercados não abriram as portas durante a manhã da última quinta-feira (11).

Muita gente não conseguiu chegar ao trabalho porque 100% dos ônibus não circularam na Grande Vitória. Os poucos estabelecimentos comerciais que funcionaram normalmente tiveram de providenciar transporte para os funcionários.

Florianópolis (SC)

A paralisação dos ônibus estava marcada para acontecer entre 14h30 e 16h30, mas o retorno à circulação normal foi antecipado em meia hora na capital catarinense. De acordo com o Sintraturb (Sindicato dos Trabalhadores do Transporte Urbano), a paralisação atingiu também o município de Palhoça por uma hora. Grande parte das escolas da rede municipal da capital catarinense também ficou sem aulas na manhã desta quinta-feira.

Curitiba (PR)

Na capital paranaense, os Correios realizaram paralisação de 24 horas. Os bancos mantiveram as atividades, embora o sindicato tenha realizado um ato unificado na praça Rui Barbosa, no centro da cidade. A Repar (Refinaria Presidente Getúlio Vargas), em Araucária, na região metropolitana de Curitiba, suspendeu as atividades desta quinta-feira. 

No Estado, 21 praças de pedágios de rodovias tiveram a passagem liberada por movimentos sociais e centrais sindicais. O objetivo da ação foi exigir a redução imediata das tarifas cobradas pelas concessionárias.

As praças atingidas pela mobilização foram Cascavel, Guarapuava, Irati, Lapa, Campo Mourão, Corbélia, Céu Azul, Santa Terezinha do Itaipu, Candói, Nova Laranjeiras, Floresta, Presidente Castelo Branco, Mandaguari, Jataizinho, Sertaneja, Arapongas, Maurá da Serra, São Luiz do Purunã, Imbaú, Irati e rodovias do litoral.  

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