Brasil As perguntas às quais Guedes não respondeu sobre empresa em paraíso fiscal

As perguntas às quais Guedes não respondeu sobre empresa em paraíso fiscal

Em entrevistas nos Estados Unidos, ministro da Economia voltou a se defender sobre offshore nas Ilhas Virgens Britânicas

  • Brasil | Thiago Nolasco, da Record TV

O ministro da Economia, Paulo Guedes, está em Washington, nos Estados Unidos, onde participa da reunião anual do FMI (Fundo Monetário Internacional). A viagem acontece em meio a pressões de parlamentares por explicações sobre a offshore em nome do economista nas Ilhas Virgens Britânicas, um paraíso fiscal.

Em entrevistas na capital norte-americana nesta terça-feira (12), o ministro tentou justificar a alta da inflação no Brasil e falou sobre a empresa no exterior. Guedes, mais uma vez, disse que não fez nada de errado, que a empresa é legal, foi informada ao Comitê de Ética da Presidência da República, declarada na Receita Federal e registrada no Banco Central.

Paulo Guedes ainda deve explicações sobre offshore nas Ilhas Virgens Britânicas

Paulo Guedes ainda deve explicações sobre offshore nas Ilhas Virgens Britânicas

Adriano Machado/Reuters - 02.09.2021

O ministro investiu US$ 9,5 milhões no paraíso fiscal e, durante o período em que está no governo, teve um lucro de quase R$ 15 milhões com a desvalorização do real em relação ao dólar em razão da política econômica adotada na gestão dele.

À imprensa americana, também alegou que saiu do comando da empresa antes de assumir o Ministério da Economia e que o STF (Supremo Tribunal Federal) teria arquivado o caso. No entanto, a decisão da corte máxima brasileira não foi sobre o mérito da investigação. O ministro Dias Toffoli entendeu apenas que a notícia-crime deveria ser apresentada diretamente à Procuradoria-Geral da República, e não ao STF.

Passados nove dias desde que a existência da empresa no exterior foi revelada, o ministro da Economia ainda não respondeu a perguntas importantes.

Arte R7

O vice-presidente da Câmara dos Deputados, Marcelo Ramos (PL-AM), criticou a falta de transparência de Paulo Guedes. "É bastante estranho que o ministro comemore o dólar acima de R$ 5. Isso dá lucros extraordinários à offshore dele por um lado, mas aumenta a quase R$ 7 o combustível Brasil afora para o cidadão brasileiro ao qual ele deve satisfação."

O deputado ainda afirmou que resta uma questão de ética e coerência ao chefe da Economia. "O Paulo Guedes é o ministro que ataca dia e noite os incentivos fiscais concedidos à indústria brasileira, que produz, gera emprego e distribui renda. Mas ele próprio retira dinheiro do Brasil numa movimentação tão legal quanto são legais os incentivos. Portanto, ainda que não haja uma infração legal, a infração ética e a falta de coerência são absolutamente latentes", analisou Ramos.

O mistério em torno da empresa milionária do ministro da Economia deve acabar em breve. Paulo Guedes terá que dar explicações no plenário da Câmara e no Senado. A data ainda não foi marcada.

Procurada pela Record TV, a defesa de Paulo Guedes disse que o caso já foi arquivado pelo Supremo Tribunal Federal. Em nota, afirma que os documentos apresentados à Procuradoria-Geral da República demonstram que o ministro se afastou da gestão da empresa e jamais se beneficiou do cargo que ocupa.

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