Brasil Aviões não tem espaço para mala de mão de todos os passageiros

Aviões não tem espaço para mala de mão de todos os passageiros

Levantamento mostra que mesmo com 70% de ocupação, aeronaves mais comuns não tem espaço suficiente para as bagagens de mão

Bagageiros de cabine de um Boeing 737-800 comportam 118 bagagens de mão

Bagageiros de cabine de um Boeing 737-800 comportam 118 bagagens de mão

Divulgação/Boeing

Um levantamento feito pelo R7 mostra que os aviões mais comuns usados pelas aéreas brasileiras não possuem espaço para acomodar as bagagens de mão de todos os passageiros, mesmo que a mala esteja dentro dos padrões recomendados pelas empresas.

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A reportagem perguntou aos fabricantes das aeronaves sobre quantas malas no padrão recomendado pelas empresas, nas medidas de 55 cm de altura, 35 cm de largura e 25 cm de comprimento, podem ser armazenadas no bagageiro de cabine destas aeronaves.

Os dados mostram que, mesmo com 30% dos assentos desocupados, as aeronaves ainda não conseguiriam transportar a bagagem de mão de todos.

A Airbus informou que o A320-200, aeronave mais comum na frota da Latam no país, e que transporta 174 passageiros, tem capacidade para 114 malas no bagageiro de cabine.

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Neste caso, se a aeronave estiver lotada e todos levarem bagagem de mão, ao menos 60 passageiros não conseguirão acomodar a mala dentro do avião.

Já o Boeing 737-800, avião usado popularmente pela Gol, tem capacidade para 118 malas e transporta até 186 passageiros, segundo dados de configuração de assentos publicados no site da companhia. Assim, 58 passageiros não conseguiriam acomodar suas bagagens nos voos da empresa.

Já a Embraer, empresa fabricante das aeronaves E-195, mais usadas pela Azul, não informou quantas malas podem ser acomodadas no bagageiro da cabine. A configuração mais comum operada pela empresa no Brasil transporta 118 passageiros.

O levantamento desconsidera, por exemplo, que em alguns espaços destinados a bagagem de mão dos passageiros, são armazenados equipamentos de segurança, bagagens dos tripulantes e até mesmo produtos alimentícios distribuídos durante o voo, que colaboram para reduzir ainda mais o espaço para a bagagem de mão.

O R7 questionou as empresas aéreas sobre a capacidade do bagageiro de cabine de suas aeronaves. A Latam confirmou que "existe a possibilidade" de as malas de todos não poderem ser levadas no interior de suas aeronaves.

"Caso seus funcionários percebam que os passageiros não consigam alocar todas as bagagens no interior da aeronave, a mala pode ser despachada gratuitamente no porão do avião", informou a empresa.

A Azul informou que "garante o transporte de um volume de bagagem de mão por cliente de acordo com as normas estabelecidas pela ANAC, independente da capacidade do bagageiro da cabine".

A Gol Linhas Aéreas não respondeu aos questionamentos feitos pela reportagem.

Medidas para bagagem de mão adotadas pelas empresas aéreas

Medidas para bagagem de mão adotadas pelas empresas aéreas

Reprodução/Abear

Polêmica da bagagem
Desde que as empresas aéreas passaram a cobrar pelo despacho da bagagem, o número de bagagens a bordo com peso e dimensões diversas passaram a ser mais frequentes nos voos.

Em alguns casos, uma bagagem mais pesada ou a falta de espaço para guardá-la chegou a provocar brigas e discussões entre passageiros e funcionários de companhias aéreas.

As empresas, por sua vez, alegam que malas muito grandes na bagagem de mão atrasam o embarque. Quando a ANAC (Agência Nacional de Aviação Civil) autorizou a cobrança do despacho da bagagem, existia a promessa de melhorar a competitividade e reduzir o preço das passagens, o que segundo órgãos de defesa do consumidor, não ocorreu.

Lei quer reverter cobrança

Com a polêmica, na última semana, um projeto de lei foi aprovado por uma comissão na Câmara dos Deputados para que as companhias garantam ao passageiro o despacho de ao menos uma bagagem sem cobrança, e reduziria o número de bagagens de mão dentro da aeronave.

O projeto ainda precisa passar por votação na Câmara, no Senado e ser sancionado pelo Presidente da República. No entanto, ANAC contestou o texto do projeto em discussão no Congresso e se manifestou contrária a este ponto do texto.