CPI da Covid

Brasil Aziz reclama de respostas e ameaça tornar Wajngarten investigado

Aziz reclama de respostas e ameaça tornar Wajngarten investigado

Ex-secretário irritou presidente da CPI da Covid ao se negar a dizer quem aconselhou presidente Bolsonaro na compra de vacinas

  • Brasil | Plínio Aguiar e Marcos Rogério Lopes, do R7

Pressionado, Wajngarten pede orientação durante depoimento à CPI da Covid

Pressionado, Wajngarten pede orientação durante depoimento à CPI da Covid

Jefferson Rudy/Agência Senado - 12.05.2021

O presidente da CPI da Covid, senador Omar Aziz (PSD-AM), ameaçou o ex-secretário da Comunicação Fabio Wajngarten de torná-lo investigado, e não apenas testemunha, caso "continuasse se esquivando" de responder questões formuladas pelo relator Renan Calheiros (MDB-AL).

Calheiros citou um trecho da entrevista do ex-integrante do governo à revista Veja, em abril, na qual Wajngarten disse que o presidente Jair Bolsonaro estava sendo mal orientado na negociação sobre as vacinas. O senador o questionou: "Quem orientou o presidente nessa questão?"

O ex-secretário declarou não ter conhecimento de quem possa ter feito a orientação. Calheiros reclamou que ele não estava querendo responder a pergunta. Foi quando Aziz tomou a palavra:

"Senhor Fabio, você só está aqui por causa da entrevista para a revista Veja, se não a gente nem lembraria que você existia. Nela, você chamou o Pazuello de incompente, disse que a Pfizer tinha cinco escritório de advocacia aqui e o governo estava perdido..."

Wajngarten desmentiu ter chamado Pazuello de incompetente. O vice da CPI da Covid, Randolfe Rodrigues (Rede-AP), lembrou nesse momento que a afirmação estava na capa da revista, publicada no fim de abril.

A Veja destaca em sua capa a aspa do ex-secretário, na qual ele diz que "houve incompetência e ineficiência".

O presidente da CPI cobrou porque ele não explicava as declarações que tinha dado. "Ele está aqui tangenciando sobre as perguntas e depois a gente toma uma medida mais radical e vão dizer que a gente é isso ou aquilo.  Por favor, não menospreze nossa inteligência, ninguém é imbecil aqui."

Aziz foi além, insinuando que Wajngarten corria riscos se não contasse o que sabe. "Vossa Excelência está confiando em quê lá na frente, meu amigo?", perguntou o senador. "Isso tem consequências futuras. Só quem já enfrentou processo sabe que não acaba amanhã. A gente se sente confiante quando está com o poder por trás da gente. E quando o poder vai embora, a gente fica abandonado. Aí é o arrependimento. Estou te dando um conselho: seja objetivo com a CPI."

Aziz interrompeu a sessão e pediu para o depoente se aconselhar com seu advogado. 

No retorno da comissão, o senador do Amazonas afirmou que se ele não fosse objetivo nas respostas, a CPI pediria a gravação da entrevista à revista e dispensaria Fabio Wajngarten, reconvocando-o na condição de investigado.

Pedido de prisão

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Houve tensão entre os membros da CPI. “Vamos respeitar, ninguém está aqui para ser humilhado”, disse um senador ainda não identificado ao defender o ex-secretário.

Carla Zambelli, deputada federal pelo PSL-SP e aliada do presidente Jair Bolsonaro, tumultuou a sessão. A parlamentar questionou as questões contra Wajngarten, com o argumento de abuso de autoridade. Segundo ela, o relator havia dito que ela seria convidada a se retirar da CPI.

Calheiros informou posteriormente que solicitará a revista Veja o áudio de entrevista, bem como mais informações sobre a declaração do ex-secretário de Comunicação.

Mais tarde, Renan Calheiros acusou o ex-secretário de mentir à comissão. Ao ser questionado sobre campanhas do governo a favor de medidas para evitar o contágio do novo coronavírus, ele citou, entre outras, uma propaganda feita pelo apresentador Otávio Mesquita.

Renan, com um print em mãos, afirmou que a campanha em questão era contra o isolamento social, não a favor.

Calheiros também ameaçou o depoente de prisão caso continuasse mentindo à CPI. 

O senador governista Marcos Rogério (DEM-RO) afirmou que não se podia intimidar a testemunha nem tampouco prendê-la posteriormente por declarações à comissão. "Prisão no país só se dá em flagrante", esclareceu.

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