BC fala pela primeira vez sobre impacto da reforma da Previdência

Em ata do Copom divulgada nesta terça-feira,  Banco Central diz que reforma "contribui para redução gradual da taxa de juros estrutural da economia"

Câmara volta a discutir Reforma da Previdência nesta terça-feira

Câmara volta a discutir Reforma da Previdência nesta terça-feira

EDU ANDRADE/FATOPRESS/ESTADÃO CONTEÚDO

A ata do último encontro do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC), publicada nesta terça-feira, 6, tratou diretamente, pela primeira vez, da reforma da Previdência.

Em documentos anteriores, o BC sempre se referia de maneira genérica à importância das reformas, sem citar especificamente a da Previdência. A avaliação trazida hoje é de que a reforma previdenciária "contribui para redução gradual da taxa de juros estrutural da economia".

"A reforma da Previdência, ao adequar as regras para aposentadoria à estrutura e dinâmica demográficas do país, reduz o ritmo de crescimento dos gastos do governo, aumentando a poupança pública", avaliou o BC na ata.

"Além disso, gera incentivos para aumento da taxa de poupança por parte da população, visando sustentar um certo padrão de consumo após a aposentadoria."

Na avaliação do BC, por esses canais, "a reforma contribui para redução do componente livre de risco da taxa de juros estrutural da economia brasileira".

"A reforma da Previdência também reduz o componente de prêmio de risco da taxa de juros estrutural, posto que com ela melhoram as perspectivas de sustentabilidade fiscal", acrescentou a instituição.

A reforma da Previdência, no entanto, também traz componentes que contribuem para elevar a taxa estrutural, conforme o BC.

"A reforma induz aumento da oferta de trabalho e tende a estimular investimentos privados ao reduzir incertezas sobre aspectos fundamentais da economia brasileira", disse o colegiado.

"Considerando apenas esses dois últimos canais, a reforma tenderia a elevar a taxa de juros estrutural."

A conclusão trazida pelo BC na ata, porém, é que o efeito líquido da reforma é de redução da taxa estrutural.

"Não obstante a complexidade dos canais pelos quais a reforma da Previdência pode influenciar a taxa de juros estrutural da economia brasileira, quando se considera o seu efeito líquido, o Copom entende que a reforma contribui para redução gradual da taxa de juros estrutural da economia", disse o BC.