Brasil Blogueiros investigados por atos antidemocráticos se contradizem

Blogueiros investigados por atos antidemocráticos se contradizem

Allan dos Santos e Oswaldo Eustáquio apresentam diferentes versões sobre relação em depoimentos em inquérito do STF

  • Brasil | Gabriel Croquer, do R7, e Clébio Cavagnolle, da Record TV

Oswaldo Eustáquio também afirmou ter feito parte do governo de transição de Jair Bolsonaro

Oswaldo Eustáquio também afirmou ter feito parte do governo de transição de Jair Bolsonaro

Montagem/ EFE e Divulgação

Os blogueiros Allan dos Santos e Oswaldo Eustáquio entraram em contradição em depoimentos ao STF (Supremo Tribunal Federal) no âmbito dos inquéritos dos atos antidemocráticos, que investiga ataques contra a Corte. A informação consta em documento obtido pelo Record TV, depois que o ministro Alexandre de Moraes retirou o sigilo da investigação.

O resumo dos depoimentos, que foram prestados no final de junho e início de julho de 2020 mostra diferentes versões dos blogueiros sobre sua relação pessoal e profissional. Enquanto Allan afirmou manter apenas conversas de trabalho com alguns dos outros investigados, entre eles Eustáquio, Oswaldo disse à PF ter relação de amizade com Allan dos Santos.

"Conhece as pessoas de Oswaldo Eustáquio, Fernando Lisboa e Sara Winter por já ter realizado entrevistas em seu canal com eles, no entanto, não possui qualquer relação pessoal com os mesmos", consta na parte do documento que fala sobre o depoimento de Allan dos Santos. 

Já o depoimento de Oswaldo, porém, os investigadores afirmam que blogueiro disse conhecer "a pessoa de Allan Lopes dos Santos, possuindo relação de amizade". Outro depoimento de Eustáquio mostra ainda que ele usou o direito de permanecer em silêncio à Polícia Federal.

Na oitiva em que não usou do direito, além da informação sobre amizade com Allan dos Santos, Oswaldo Eustáquio disse também ser amigo da ativista Sara Winter, que acabou presa em meio às investigações do inquérito. 

Sobre as manifestações na metade do ano passado, convocadas para atacar o STF e o Congresso, Eustáquio disse que sua participação se limitou à cobertura jornalística. Ele ainda revelou ter feito parte do governo de transição de Jair Bolsonaro, até 31 de janeiro de 2019, e que sua esposa recebia, na época de seu depoimento, salário mensal de R$ 17 mil mais auxílio moradia de R$ 4.300 como Secretária Nacional do governo Bolsonaro.

A esposa de Eustáquio, a ex-secretária de Políticas de Promoção da Igualdade Racial da pasta, Sandra Terena, acabou sendo demitida do cargo em setembro, por orientação do Palácio do Planalto.

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