Brasil Bolsonaro chama de descabida prisão de ex-presidente da Bolívia

Bolsonaro chama de descabida prisão de ex-presidente da Bolívia

Jeanine Áñez é acusada de golpe de estado contra Evo Morales. Fala de presidente ocorreu durante reunião com líderes do Prosul

  • Brasil | Do R7

Ex-presidente interina da Bolívia, Jeanine Áñez foi presa no sábado

Ex-presidente interina da Bolívia, Jeanine Áñez foi presa no sábado

David Mercado/Reuters - 22.12.2019

Durante reunião virtual com líderes da Cúpula do Prosul (Progresso e Desenvolvimento da América do Sul), o presidente Jair Bolsonaro chamou de "descabida" a prisão da ex-presidente interina da Colômbia, Jeanine Áñez. A ex-mandatária foi detida na madrugada do último sábado (13), em Trinidad, a cidade onde mora, no noroeste do país, pelo caso do suposto golpe de Estado contra o ex-presidente esquerdista Evo Morales em 2019, uma acusação que ela nega.

"Antes de tratarmos da temática econômica, cumpre recordar que a defesa e promoção da democracia é um dos princípios basilares do Prosul. Nesse sentido, nos preocupam os acontecimentos em curso na Bolívia nosso vizinho e país irmão, onde a ex-presidente Jeanine Áñez e outras autoridades foram presas sob alegação em participação em golpe, que nos parece totalmente descabida. Esperamos que a Bolívia mantenha em plena vigência o estado de direito e a convivência democrática", afirmou Bolsonaro na abertura de sua fala durante o evento virtual.

Áñes foi acusada pelo Ministério Público boliviano de sedição, terrorismo e conspiração. As acusações dizem respeito ao período após a eleição de 2019, que foi vencida por Evo. Após alegações de fraude eleitoral e em meio a uma onda de protestos e violência contra seus aliados, ele renunciou à presidência e deixou o país.

Na sequência do seu discurso, Bolsonaro se pautou naquilo que ele chamou de dois desafios: a crise sanitária e a necessidade urgente da retomada do crescimento econômico. "Essas são duas grandes prioridades do nosso governo", disse.

O presidente ressaltou que tem contado com apoio de instituições de crédito à causa da retomada econômica. "Por essa razão, vemos como muito oportuna essa reunião do Prosul, às vésperas da assembleia anual do BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento)."

Ao lado do ministro da Economia, Paulo Guedes, o chefe do Executivo Nacional, e também do chanceler Ernesto Araújo, Bolsonaro deu destaque ao auxílio emergencial, programa de transferência de renda criado no início da pandemia, em 2020, com foco na população de baixa renda e trabalhadores informais.

"Para enfrentar essa situação, nosso governo criou um dos maiores programas sociais do mundo, prestando auxílio emergencial a mais de 67 milhões de brasileiros em situação de vulnerabilidade: aqueles que não têm emprego ou que trabalham no setor informal", sustentou.

"Os pagamentos totalizaram mais de US$ 50 bilhões. Neste momento trabalhamos para estender o auxílio emergencial do governo federal por mais alguns meses até que consigamos superar a situação lamentável que temos ainda hoje", acrescentou.

PIB

O presidente disse ainda que, assim como ocorreu em quase todo o mundo, as medidas de combate à covid tiveram um enorme impacto fiscal no Brasil, equivalente a cerca de 8,6% do PIB (Produto Interno Bruto).

"Ressalto que o FMI qualificou a resposta do governo brasileiro à pandemia como 'rápida e substantiva' e deixou clara a importância do comprometimento das autoridades, mesmo nas atuais circustâncias com o teto de gastos e o equilíbrio fiscal", afirmou.

Ainda sobre as riquezas produzidas pelo país em 2020, Bolsonaro lembrou que o PIB apresentou recuo 4,1%, "o que corresponde a menos da metade da queda projetada por por especialistas no início da pandemia". "Em razão das medidas tomadas, a economia brasileira iniciou sua trajetória de recuperação já no 4º trimestre do ano passado, com crescimento de 3,2% em relação ao trimestre anterior."

O presidente lembrou que as metas do seu governo passam pela aprovação das reformas administrativa, tributária, além da aprovação da lei de falências, a privatização de estatais, além dos marcos regulatórios para fortalecer a segurança jurídica e melhorar o ambiente de negócios.

Caminhando para o fim de sua participação na Cúpula do Prosul, Bolsonaro alertou os colegas presidentes sobre a ameaça do crime organizado nas fronteiras. "Mesmo diante dos desafios da pandemia, não podemos nos esquecer da ameaça do crime organizado que continua a pairar sobre nossa região. Necessitamos redobrar nossos esforços conjuntos na luta contra o narcotráfico e o terrorismo e outras formas de criminalidade."

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