Brasil Bolsonaro critica Legislativo: ‘Me querem como rainha da Inglaterra?’

Bolsonaro critica Legislativo: ‘Me querem como rainha da Inglaterra?’

Presidente, que vai ao Japão para reunião do G-20, fez comparação com Elizabeth II, que tem comando do Reino Unido, porém não governa na prática

  • Brasil | Raphael Hakime, do R7, com Estadão Conteúdo

Bolsonaro fez comparação com rainha da Inglaterra

Bolsonaro fez comparação com rainha da Inglaterra

Adriano Machado/Reuters - 18.06.2019

O presidente Jair Bolsonaro avaliou, neste sábado (22), que o Legislativo brasileiro ganha cada vez mais poder e questionou se os parlamentares querem transformá-lo na "Rainha da Inglaterra" — Elizabeth II tem o poder simbólico do Reino Unido, mas não governa efetivamente. 

"Querem tornar privativo do Parlamento indicações para agências. Querem me deixar como rainha da Inglaterra? Este é o caminho certo?”, questionou Bolsonaro.

Na avaliação do presidente, que embarca na próxima terça-feira para o Japão para encontro do G-20, as agências "travam ministérios, pois você fica sem ação, tem que negociar com a agência, cria um poder paralelo".

Em seguida, Bolsonaro emendou que no governo Dilma Rousseff (PT) havia o "conselhão", pelo qual todo projeto aprovado pela Câmara tinha que passar. "Quem seriam os integrantes desse conselhão? Petistas".

O presidente informou que o ministro da Economia Paulo Guedes decidiu reduzir concursos públicos a poucas áreas, e citou que as exceções são para Polícia Federal e Polícia Rodoviária Federal. O motivo seria falta de verba. "Fora isso, dificilmente teremos concursos no Brasil nos próximos poucos anos", afirmou o presidente a jornalistas.

A declaração foi dada a jornalistas e registrada pelo jornal O Estado de S.Paulo após o Bolsonaro deixar o Palácio da Alvorada e se dirigir ao prédio médico na área do Palácio do Planalto. 

O comentário de Bolsonaro teve como pano de fundo um projeto da Câmara dos Deputados, que pode transferir para os próprios parlamentares o poder de fazer indicações para agências reguladoras.

“Se isso aí se transformar em lei, todas as agências serão indicadas por parlamentares. Imagina qual o critério que vão adotar. Acho que eu não preciso complementar”, disse Bolsonaro.

Articulação política

Após derrotas no Congresso, Bolsonaro reconheceu na sexta, 21, problemas de articulação política entre o Planalto e a Casa. O presidente atribuiu as dificuldades à "inexperiência" e admitiu que teve de adotar o modelo que era usado no Palácio do Planalto de Michel Temer.

O mea-culpa ocorre após editar Medida Provisória que retirou a articulação política das mãos do ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni (DEM), e transferiu-a para o general da ativa Luiz Eduardo Ramos, recém-nomeado por Bolsonaro para a Secretaria de Governo.

"Quando montamos aqui, no primeiro momento, por inexperiência nossa, tivemos algumas mudanças nas funções de cada um que não deram certo", disse o presidente em entrevista. "Em grande parte retornamos ao que era feito em governo anterior."

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