Brasil Bolsonaro defende Pazuello e volta a pedir voto impresso nas eleições

Bolsonaro defende Pazuello e volta a pedir voto impresso nas eleições

Após alta neste domingo (18), presidente criticou verba para Fundo Eleitoral e defendeu estudos com novo medicamento para covid-19

  • Brasil | Do R7, com informações da Reuters

O presidente Jair Bolsonaro, após alta médica em São Paulo

O presidente Jair Bolsonaro, após alta médica em São Paulo

Foto: BRUNO ROCHA/ENQUADRAR/ESTADÃO CONTEÚDO 18.07.2021

Após receber alta neste domingo (18), o presidente Jair Bolsonaro defendeu a atuação do governo e do ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello nas negociações por vacinas, voltou a pedir a adoção do voto impresso nas eleições de 2022 e disse querer estudos sobre mais um medicamento para combater a covid-19.

O presidente deixou o Hospital Vila Nova Star, em São Paulo, após quatro dias de internação por conta de uma obstrução intestinal. Ele se encontrou com apoiadores na saída e falou com  jornalistas por cerca de 30 minutos, disparando várias críticas e defesas.

Questionado sobre recente reportagem do jornal "Folha de S. Paulo" que mostrou vídeo em que Pazuello recebe representantes de uma empresa de Santa Catarina para intermediação de compra de vacinas Coronavac com a fabricante chinesa Sinovac e diz que um memorando de entendimento foi assinado, Bolsonaro defendeu a atuação do ex-ministro afirmando que não foi fechado contrato.

As vacinas foram oferecidas por cerca de três vezes o preço do mesmo imunizante fabricado pelo Instituto Butantan, no Brasil. O acordo acabou não prosperando. Pazuello afirma que só cumprimentou os representantes da empresa, mas não negociou.

"Se eu estivesse na Saúde, eu teria apertado a mão daqueles caras todos", disse Bolsonaro, argumentando que Pazuello estava sem paletó e não estava à mesa no vídeo divulgado, o que mostraria que não houve negociação alguma com a participação do então ministro. "Não tem como você fraudar no nosso governo", garantiu.

Bolsonaro afirmou que, em Brasília, "não falta gente para vender lote na Lua" e criticou a imprensa. "Lamentavelmente a imprensa, grande parte da imprensa, adota o caminho de simplesmente denunciar, denunciar não, divulgar aquilo que nós não fizemos", disse o presidente.

O presidente ressaltou que sempre impôs ao Ministério da Saúde duas condições para comprar vacinas: passar pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) e só pagar depois que chegar. “Nosso governo não gastou um centavo com picareta, nenhum. Parabéns Pazuello, parabéns coronel Elcio."

No caso da vacina indiana Covaxin, o governo acertou a compra mesmo sem aprovação da Anvisa - que só concedeu autorização de uso emergencial meses depois e mesmo assim restrita. O contrato de R$ 1,6 bilhão, suspenso pelo governo, é algo de investigações de diversos órgãos e da CPI da Covid. O valor foi empenhado - reservado para a despesa.

Remédio

Bolsonaro afirmou que pretende pedir ao ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, estudos sobre o uso da proxalutaminda, utilizada em tratamentos contra câncer de próstata. O presidente já defendeu em diferentes oportunidades ao longo da pandemia o uso do tratamento precoce. Parte das substâncias indicadas, como a cloroquina, são consideradas ineficazes pela comunidade científica internacional. Outras, como a ivermectina, ainda são alvo de estudos após alguns resultados positivos. 

Eleições e voto impresso

O presidente sinalizou que pode vetar o fundo eleitoral de cerca de R$ 6 bilhões para as eleições 2022, aprovado na quinta-feira (15) pelo Congresso Nacional, dentro da LDO (Lei de Diretrizes Orçamentárias).

"Eu sigo a minha consciência, sigo a economia e a gente vai buscar um bom sinal para isso tudo aí. Afinal de contas, eu já antecipo, R$ 6 bi pra fundo eleitoral, para financiamento de campanhas, pelo amor de Deus", afirmou.

Bolsonaro voltou a defender o que chama de voto impresso auditável, repetindo críticas ao presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral, Luís Roberto Barroso, dizendo ainda que a apuração da votação tem que ser pública.

Argumentando em favor da liberdade de expressão, o presidente criticou investigações sobre atos antidemocráticos e "fake news". "Não dá pra gente conviver num país democrático com pessoas sendo presas e processadas por fake news e atos antidemocráticos", disse.

"Eu respeito integralmente a Constituição... tem gente sendo processada porque levantou faixinha com o artigo 142... eu respeito o artigo 1º da Constituição, o artigo 2º, o 10º, o 100º e o 142 também, isso é crime?"

O artigo 142 da Constituição diz que as Forças Armadas "são instituições nacionais permanentes e regulares, organizadas com base na hierarquia e na disciplina, sob a autoridade suprema do Presidente da República, e destinam-se à defesa da Pátria, à garantia dos Poderes constitucionais e, por iniciativa de qualquer destes, da lei e da ordem". De maneira recorrente, algumas pessoas defendem a interpretação, errada, de que, com base neste artigo, as Forças Armadas funcionariam como um Poder Moderador.

Questionado se a reunião que ocorreria na quarta-feira passada com os presidentes do STF, Luiz Fux, do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG) e da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), seria retomada, Bolsonaro disse acreditar que sim, mas ressalvou que, como ele escolhe seus próprios ministros, é o único dos chefes dos Poderes que não têm problemas.

"Com toda certeza... não tem nada de anormal essas reuniões nossas, é acertar alguma coisa, trocar uma ideia", disse.

A reunião de quarta, desmarcada devido ao problema de saúde de Bolsonaro, foi marcada depois que o presidente chegou a colocar em dúvida a realização das eleições marcadas para 2022.

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