Crise na Venezuela
Brasil Bolsonaro diz não considerar movimento de Guaidó derrotado

Bolsonaro diz não considerar movimento de Guaidó derrotado

Líder da oposição venezuelana e autoproclamado presidente disse ter apoio de militares para tirar Nicolás Maduro do poder, mas não obteve sucesso

Bolsonaro e Guaidó em encontro no fim de fevereiro

Bolsonaro e Guaidó em encontro no fim de fevereiro

Ueslei Marcelino/Reuters - 28.2.2019

O presidente Jair Bolsonaro afirmou, nesta quarta-feira (1º), que não há derrota do líder da oposição venezuelana e autoproclamado presidente do país, Juan Guaidó.

Ontem, Guaidó anunciou que tinha apoio de militares para derrubar o governo de Nicolás Maduro no país e convocou protestos em diversas cidades. Houve confrontos e dezenas de feridos.

No entanto, à noite, Maduro apareceu em rede nacional de TV alegando ter contido o que chamou de tentativa de golpe e reforçou o apoio dos comandantes das Forças Armadas ao seu regime. 

"Não tem derrota nenhuma [de Guaidó]. Eu até o elogio, reconheço o espírito patriótico e democrático que ele tem por lutar por liberdade em seu país", assegurou o presidente.

O presidente afirmou que tem informações de militares que estariam migrando para a oposição a Nicolás Maduro. 

"O informe que nós temos é que existe uma fissura sim, que cada vez mais se aproxima da cúpula das Forças Armadas. Então existe a possibilidade de o governo ruir pelo fato de alguns da cúpula passarem para o outro lado."

Em conversa com jornalistas ao lado do ministro da Defesa, Fernando Azevedo e Silva, em Brasília, Bolsonaro expressou preocupação com os reflexos da crise venezuelana no Brasil por conta de seus impactos na produção de petróleo e no fornecimento de energia para Roraima.

O presidente expressou preocupação com os reflexos da crise venezuelana no Brasil por conta de seus impactos no preço do petróleo. Ele citou a política de reajuste de preços de combustíveis da Petrobras e afirmou que conversará com a estatal para se "antecipar a problemas".

"Agora, uma preocupação existe sim. Com essa ação, com embargos, o preço do petróleo a princípio sobe. Temos que nos preparar, dada a política da Petrobras. Não interviremos da nossa parte, mas podemos ter um problema sério dentro do Brasil como efeito colateral do que acontece lá", afirmou.

"A política de reajuste adotada pela Petrobras no momento é essa e vamos conversar para nos antecipar a problemas de fora, que venham de forma bastante grave aqui para o Brasil", acrescentou.

Os comentários de Bolsonaro sobre a política de reajuste da Petrobras e os possíveis impactos da crise venezuelana nos preços dos combustíveis acontecem depois de, recentemente, o presidente telefonar para o presidente da estatal, Roberto Castello Branco, que posteriormente recuou de um reajuste já anunciado do preço do diesel.

O presidente também manifestou preocupação com o fornecimento de energia elétrica para Roraima e disse que até o dia 15 deste mês o governo deverá receber um posicionamento de comunidades indígenas em cujas terras passariam as obras de uma linha de transmissão que ligará o Estado ao sistema nacional.

"A situação é emergencial. Não podemos ficar de forma eterna com a energia de óleo diesel, porque nós aqui, o resto do Brasil, paga um pouco mais de 1 bilhão por ano para a energia de Roraima", disse.

Além do ministro da Defesa, participaram da reunião com o presidente o ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional, general Augusto Heleno, e o ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, além dos comandantes das Forças Armadas. 

Na saída, o ministro Azevedo e Silva tratou o encontro como "uma avaliação de rotina".

"Em toda situação sensível a gente faz um briefing pela manhã", declarou.

O ministro da Defesa ainda justificou a suplementação de recursos para o auxílio de venezuelanos que estão ingressando no Brasil.

"Os recursos previstos para um ano acabaram em março. Então, o Ministério da Defesa fez uma suplementação e ontem saíram os recursos para que a gente prolongue a operação por mais um ano. Nós já interiorizamos cerca de 6.000 venezuelanos. Precisamos acelerar o ritmo."

Ontem, o governo liberou R$ 223,8 milhões para assistência emergencial aos venezuelanos.