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Brasil Bolsonaro reage contra ministro Barroso: 'Falta coragem moral'

Bolsonaro reage contra ministro Barroso: 'Falta coragem moral'

Presidente acusa magistrado do STF, que determinou ao Senado a instalação de CPI da Covid, de se unir com oposição contra governo

  • Brasil | Do R7

Bolsonaro durante evento em Brasília

Bolsonaro durante evento em Brasília

Marcos Corrêa/PR - 08.04.2021

Um dia após o STF (Supremo Tribunal Federal) ter determinado que o Senado instale CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) para apurar ações e omissões do governo federal no combate à pandemia de covid-19, o presidente Jair Bolsonaro reagiu, criticando duramente o autor da decisão liminar, ministro Luís Roberto Barroso.

Segundo o presidente, Barroso e a bancada de esquerda do Senado se uniram para desgastar o governo.

"Eles não querem saber do que aconteceu com os bilhões desviados por alguns governadores e alguns poucos prefeitos também", afirmou Bolsonaro. "Agora, detalhe: dentro do Senado tem processo de impeachment contra ministro do STF. Eu quero saber se o Barroso vai ter coragem moral de mandar instalar esse processo de impeachment também. Pelo que me parece falta coragem moral do Barroso e sobra ativismo judicial."

A decisão do minstro do Supremo atende a pedido feito pelos senadores Alessandro Vieira (Cidadania-SE) e Jorge Kajuru (Cidadania-GO), que questionam a posição do presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), em avaliar o requerimento pela investigação, apresentado em fevereiro.

O mandado de segurança, com pedido de liminar, foi impetrado pelos senadores, visando a obtenção de ordem judicial para que Pacheco adote as providências necessárias à instalação de CPI. O texto tem objetivo de “apurar as ações e omissões do governo federal no enfrentamento da pandemia da covid-19 no Brasil e, em especial, no agravamento da crise sanitária no Amazonas com a ausência de oxigênio para os pacientes internados”.

Para Bolsonaro, trata-se de uma interferência entre poderes da República, do Judiciário no Legislativo, e classificou a decisão como "politicalha". 

"Barroso, nós conhecemos seu passado, sua vida, o que você sempre defendeu, como chegou ao STF, inclusive defendendo o terrorista Cesare Battisti. Então, usa a sua caneta em defesa da vida e do povo brasileiro, e não para fazer politicalha dentro do Senado. Se tiver um pingo de moral, ministro Barroso, mande abrir processo de impeachment contra alguns dos seus companheiros do STF", afirmou o chefe do Executivo nacional, abrindo mais uma crise entre o Executivo e a mais alta corte judicial do país.

O presidente complementou dizendo que "não é disso que o Brasil precisa". "Vivemos um momento crítico de pandemia, pessoas morrem e o ministro do STF faz politicalha junto ao Senado Federal", advertiu.

As declarações foram proferidas na manhã desta quinta-feira (9), em Brasília, durante tradicional encontro matutino de Bolsonaro com apoiadores, em frente ao Palácio do Alvorada. Bolsonaro reafirmou sua indignação e a reproduziu em postagens no Twitter.

"Barroso se omite ao não determinar ao Senado a instalação de processos de impeachment contra ministro do Supremo, mesmo a pedido de mais de 3 milhões de brasileiros. Falta-lhe coragem moral e sobra-lhe imprópria militância política", tuitou.

Também na manhã desta quinta-feira, o vice-presidente Hamilton Mourão se posicionou contra a decisão do ministro do Supremo.

"Eu julgo que a corrente minoritária, quando ela não consegue atingir os seus objetivos, busca utilizar o STF. E aí, na minha visão, isso aí é uma interferência que não é devida", avaliou Mourão. "E também nós estamos vivendo um momento difícil, complicado, em um momento que precisamos de união de esforços. E a CPI, a gente sabe, vai ser aquela discussão, aquela geração de atrito. E atrito não leva a nada, só faz perda de energia."

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