Bolsonaro segue na UTI e apresenta "uma leve anemia", diz hospital

Quadro de saúde do candidato à Presidência continua em evolução; circulação do intestino para o fígado está preservada 

Bolsonaro apresenta "uma leve anemia"

Bolsonaro apresenta "uma leve anemia"

Fabio Motta/Estadão

O quadro de saúde do candidato à Presidência Jair Bolsonaro (PSL) "continua em evolução", de acordo com o boletim médico divulgado pelo Hospital Israelita Albert Einstein na tarde deste domingo (9).

Ainda segundo o comunicado, o candidato apresenta "uma leve anemia, em decorrência do sangramento inicial, secundário ao trauma."

Confira o boletim na íntegra:

"São Paulo, 09 de setembro de 2018.

O quadro de saúde do candidato à Presidência da República, Jair Bolsonaro, internado no Hospital Israelita Albert Einstein, continua em evolução. A circulação do intestino para o fígado está preservada. A paralisia intestinal decorrente do grande trauma mostra sinais de que está em regressão, ou seja, é possível que, nos próximos dias, a função intestinal se normalize e o paciente passe a ingerir alimentos por via oral.

Persistem os cuidados de fisioterapia, incluindo caminhadas e exercícios diários, sem apresentar dor.

Nos exames laboratoriais ainda existe uma leve anemia, em decorrência do sangramento inicial, secundário ao trauma."

Bolsonaro foi internado no hospital na manhã de sexta-feira (7), depois de passar por uma cirurgia de emergência na Santa Casa de Juiz de Fora (MG).

O boletim médico anterior, divulgado na noite de sábado (8), informava que o candidato havia caminhado pelo quarto durante cinco minutos com ajuda de um médico e um enfermeiro. 

Bolsonaro também foi colocado em uma poltrona na manhã de sábado, em que permaneceu por 30 minutos.

Ataque contra Bolsonaro

Bolsonaro foi atingido por uma facada no abdômen na tarde de quinta-feira (6), quando era carregado nos ombros por seus apoiadores no centro de Juiz de Fora (MG).

Ele foi rapidamente levado por seguranças e membros da equipe de campanha à Santa Casa de Misericórdia de Juiz de Fora, onde chegou em estado de choque, com pressão baixa e intensa hemorragia (perdeu cerca de 2,5 litros de sangue).

Bolsonaro foi submetido a uma cirurgia de urgência, que durou aproximadamente duas horas.

De acordo com Borsato, o procedimento cirúrgico constatou uma "hemorragia volumosa" em razão do rompimento da artéria mesentérica superior, que foi suturada, controlando a perda de sangue.

Os médicos também identificaram três perfurações no intestino delgado, que foram costuradas. A equipe se deparou então com "uma lesão grave no intestino grosso, no cólon transverso, grande, extensa, com contaminação de fezes na cavidade interna", disse Borsato.

Para essa lesão, os médicos decidiram realizar uma "colostomia em caráter temporário", quando uma bolsa plástica é adaptada à pele para coletar gases e fezes. Uma nova cirurgia deverá ser feita para retirar a bolsa. Não há prazo para isso acontecer, mas a estimativa é que o candidato carregue a bolsa de dois a três meses.

O agressor de Bolsonaro, Adélio Bispo de Oliveira, de 40 anos, foi transferido para um presídio federal no Mato Grosso do Sul. Escoltado por policiais federais, Adélio passou a noite em um centro de detenção provisória em Juiz de Fora. A polícia investiga se ele agiu sozinho ou teve ajuda de outras pessoas.