Brasil Bolsonaro sobe tom de ofensas e xinga Barroso de "filho da p."

Bolsonaro sobe tom de ofensas e xinga Barroso de "filho da p."

Insulto ocorreu no momento em que presidente cumprimentava apoiadores em Joinville e foi captado por transmissão ao vivo

  • Brasil | Do R7, com informações da Reuters

O presidente Jair Bolsonaro

O presidente Jair Bolsonaro

Evaristo Sá/AFP 30.07.2021

BRASÍLIA (Reuters) - O presidente Jair Bolsonaro subiu o tom das ofensas à cúpula do Judiciário nesta sexta-feira e xingou o presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), Luís Roberto Barroso, de "filho da puta" durante a chegada a um almoço com empresários em Joinville, no norte de Santa Catarina.

O xingamento de Bolsonaro ocorreu no momento em que o presidente cumprimentava apoiadores que se aglomeravam na entrada do encontro e foi captado durante uma transmissão ao vivo pela própria conta do presidente no Facebook. Posteriormente o vídeo foi apagado, mas gravações salvas circulam pelas redes sociais.

Assista ao momento em que Bolsonaro faz o xingamento:

"O filho da puta ainda trai gente dessa maneira. Aquele filho da puta do Barroso", disse Bolsonaro a pessoas da comitiva. Procurada, a assessoria de Bolsonaro não respondeu de imediato a um pedido de comentário sobre a fala do presidente. 

Em evento nesta sexta, Barroso afirmou ao ser questionado sobre as ofensas por jornalistas que não é um ator político. "Portanto eu não tenho interesse nem cultivo ‘polemicas’  pessoais. A conquista e a preservação da democracia foram as grandes causas da minha geração e é a isso que eu dedico a minha vida pública. Por isso não paro para bater boca, não me distraio com miudezas, meu universo vai bem além do cercadinho”, afirmou.

Ataques

Bolsonaro tem dado sinais de que continuará a escalada de ataques à cúpula do Judiciário. Durante o almoço com empresários em Joinville, ele afirmou que não faz ataques ao STF (Supremo Tribunal Federal), mas em seguida afirmou que parte da corte "quer a volta da corrupção e da impunidade".

"O que parte do nosso querido Supremo Tribunal Federal quer? A volta da corrupção e da impunidade. Não estou atacando o Supremo Tribunal Federal", disse Bolsonaro.

O presidente também aproveitou para criticar a imprensa ao lembrar que, na véspera, o presidente do STF, Luiz Fux, mencionou reportagens sobre os constantes ataques que faz aos ministros Alexandre de Moraes e Barroso. "Quem busca informação na mídia já está desinformado. Não ofendi nenhum ministro do Supremo, apenas falei da ficha do senhor Barroso", afirmou.

Bolsonaro também voltou a acusar Barroso de ter interesses particulares ao ser contrário ao voto impresso, além de destilar uma série de acusações ao ministro, como de ser favorável ao aborto e contrário à família.

"Eu quero e desejo eleições limpas, democráticas, sem que meia dúzia de pessoas sem compromisso com a liberdade conte nossos votos em uma sala escura", disse Bolsonaro aos empresários.

Reunião

Em uma reação inédita, ao final da sessão do plenário de quinta, Fux rebateu ataques de Bolsonaro a ministros da corte, afirmou que o chefe do Executivo reitera inverdades e anunciou o cancelamento de uma reunião que ocorreria entre os chefes dos Poderes.

Segundo Fux, quando se atinge um ministro do Supremo, atinge-se a Corte como um todo. O presidente do STF criticou também o que chamou de afirmações equivocadas de Bolsonaro sobre decisões do Supremo e suas acusações ao sistema de votação brasileiro.

Em sua live à noite, entretanto, Bolsonaro dobrou a aposta em ataques aos ministros do Supremo e ainda criticou a declaração de Fux, sugerindo que ele estaria mal informado por ter citado informações da mídia ao fazer seu pronunciamento.

Bolsonaro tem atacado Barroso por se opor à proposta de adoção do voto impresso para urnas eletrônicas. Ameaçou também reagir fora dos limites da Constituição após se tornar alvo de inquérito no Supremo, conduzido por Moraes, que vai investigar seus ataques ao sistema eleitoral.

Fux reuniu-se nesta sexta com o procurador-geral da República, Augusto Aras, responsável por conduzir apurações que envolvem Bolsonaro. Recentemente, Aras foi indicado pelo presidente para ser reconduzido a um mandato de mais dois anos à frente do cargo.

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