Brasil Bolsonaro: Trump quer América grande e eu quero Brasil grande

Bolsonaro: Trump quer América grande e eu quero Brasil grande

Bolsonaro voltou a afirmar que, após décadas, o Brasil deixou de ter um presidente antiamericano e afirmou ter muito a conversar com Trump

Bolsonaro: Trump quer uma América grande e eu quero um Brasil grande

Presidentes trocaram camisas de seleções de futebol

Presidentes trocaram camisas de seleções de futebol

Kevin Lamarque/Reuters

O presidente Jair Bolsonaro disse nesta terça-feira (19), ao se reunir com Donald Trump na Casa Branca, que o presidente dos Estados Unidos quer uma América grande, assim como ele quer um Brasil grande.

Bolsonaro voltou a afirmar que, após décadas, o Brasil deixou de ter um presidente antiamericano e afirmou ter muito a conversar com Trump.

Bolsonaro entregou uma camisa da seleção brasileira ao presidente norte-americano com o nome de Trump nas costas, e também recebeu uma camisa da seleção de futebol dos EUA.

O presidente norte-americano, por sua vez, disse que os Estados Unidos não têm nenhuma hostilidade com o Brasil, mencionou a possibilidade de uma participação brasileira na Otan ou outra aliança estratégica e declarou apoio à entrada do país na OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico).

Em rápidos comentários ao iniciar encontro com o presidente Bolsonaro, na Casa Branca, Trump disse que seu colega brasileiro está fazendo um excelente trabalho e que o Brasil nunca esteve tão perto dos Estados Unidos. 

Trump disse ainda que iria discutir com Bolsonaro sobre a situação da Venezuela, que vive uma grave crise político-econômica, e repetiu que todas as opções estão sobre a mesa.

Ontem, o ministro da Economia, Paulo Guedes, deixou claro o descontentamento com a dificuldade dos norte-americanos em darem um apoio claro à entrada do Brasil na OCDE, considerada o clube dos países liberais.

Um apoio explícito era um dos principais pontos na agenda do governo para essa viagem mas, ao contrário do esperado, as conversas não avançaram. Ao contrário, de acordo com fontes ouvidas pela Reuters, o governo norte-americano muda as justificativas para não apoiar o Brasil a cada vez. As chicanas diplomáticas incomodaram Guedes.

Em seu discurso, o ministro acusou os Estados Unidos de ser o principal obstáculo para entrada do Brasil na OCDE.

"Nós precisamos de ajuda. Incrivelmente, os Estados Unidos são o único obstáculo para o Brasil entrar na OCDE. É até compreensível, porque estávamos no lado esquerdo pela maior parte do tempo. Mas agora estamos no lado direito e não merecemos o mesmo tratamento que tínhamos antes", cobrou Guedes.

Em um sinal de que também não estava satisfeito com as negociações comercias durante a visita, o ministro cobrou o "tit for tat" nas conversas, o que significa uma relação equivalente.

"Quer vender porco, ok, compre minha carne. Quer me vender etanol, compre meu açúcar. Carne por porco, etanol por açúcar, trigo por autopeças. São pequenas coisas", defendeu.

Os temas citados por Guedes são alguns dos pontos que o governo pretendia resolver durante a visita, mas até agora não avançaram.

Nesta terça, Bolsonaro tem encontro com o presidente norte-americano, Donald Trump, e o Brasil ainda aposta na "química" entre os dois para resolver algumas das questões pendentes.