Brasil e Argentina aproveitam protecionismo de Trump para fortalecer Mercosul e ampliar comércio exterior

Os dois governos apostam na reversão das barreiras impostas entre os países vizinhos

Marcos Pereira destacou a importância da integração nacional em momento de retorno do protecionismo do mundo

Marcos Pereira destacou a importância da integração nacional em momento de retorno do protecionismo do mundo

Douglas Gomes/Divulgação

O Brasil e Argentina anunciaram nesta terça-feira (31) que darão início, nas próximas semanas a uma cooperação técnica para executar um plano de facilitação de comércio entre os países. O plano terá investimento do BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento) de US$ 250 mil.

Os países também disseram que consideram estratégico em um momento de protecionismo no mundo, principalmente após a posse do presidente norte-americano Donald Trump, o fortalecimento do Mercosul e a ampliação do fluxo comercial entre o bloco, a Europa e países do Pacífico.

O anúncio foi feito pelo ministro do MDIC (Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços), Marcos Pereira, e pelo ministro de produção da Argentina, Francisco Cabrera, que está em visita ao Brasil. Na semana que vem, o presidente Maurício Macri fará uma visita de Estado ao Brasil.

O ministro falou com os jornalistas após uma reunião bilateral de produção e comércio e de uma reunião privada entre os ministros.

Mais cedo ele já havia afirmado da importância da integração nacional em momento de retorno do protecionismo do mundo, em uma referência à saída do Reino Unido da União Europeia e à política externa de Donald Trump nos Estados Unidos.

— O presidente Temer nos orientou que, juntamente com a liderança na Argentina no Mercosul, possamos trabalhar uma agenda de diálogo com os países da Bacia do Pacífico, haja vista a postura do presidente Trump. E que também possamos ampliar o diálogo com outros players, como Canadá, Japão e países do EFTA [Associação Europeia de Livre Comércio]. Estamos vivendo um momento em que há uma convergência no Mercosul, sobretudo entre Brasil e Argentina, o que nos dá condições de avançar no tema de abertura do Mercosul e reinserção do bloco no cenário internacional.

Entraves

As relações entre Brasil e Argentina têm entraves há décadas. Nos últimos anos, com a crise argentina e posteriormente a brasileira, novas barreiras foram impostas, dificultando o comércio entre os vizinhos. Os dois governos, no entanto, apostam na reversão desse cenário.

Para o ministro brasileiro, essa reversão já começou.

— Houve, nos últimos três meses, aumento das vendas recíprocas entre Brasil e Argentina, fato que não ocorria desde julho de 2013.

Comércio bilateral

O Brasil é o maior parceiro comercial da Argentina. Em 2016, a soma das exportações e importações entre o Brasil e a Argentina atingiu R$ 70 bilhões (US$ 22,5 bilhões), com superávit de R$ 13,64 bilhões (US$ 4,333) bilhões para o Brasil.

As empresas brasileiras venderam para a Argentina, no ano passado, principalmente automóveis de passageiros (25% do total das exportações brasileiras para o país), veículos de carga (8,8%) partes e peças de veículos (6,5%), e outros produtos manufaturados (4,7%).

Entre os produtos que as empresas argentinas vendem para o Brasil em 2015, tiveram destaque veículos de carga (16%), automóveis de passageiros (16%), e trigo em grãos (8,5).

A Argentina é o terceiro maior ‘cliente’ de produtos brasileiros, atrás apenas de China e Estados Unidos e o quarto maior fornecedor de importados para o Brasil (atrás de China, Estados Unidos e Alemanha).

Visita Macri

Na terça-feira da semana que vem (7), o presidente da Argentina, Mauricio Macri, fará a primeira visita de Estado ao País durante a gestão do presidente Michel Temer.

O convite foi feito pelo governo brasileiro com o objetivo de intensificar a agenda bilateral Brasil-Argentina. Temer visitou Buenos Aires em outubro.