Brasil vira exemplo no combate à pobreza para ONU, mas patina e se mantém no 85º lugar em ranking de IDH

País aparece atrás de Argentina, Rússia, México e Líbia, mas supera China, África do Sul e Índia 

Em relatório, ONU destaca diminuição das diferenças de renda no Brasil por meio de programas de transferência de recursos

Em relatório, ONU destaca diminuição das diferenças de renda no Brasil por meio de programas de transferência de recursos

Wesley Santos/12.05.2012/Estadão Conteúdo

O Brasil conseguiu retirar milhões de pessoas da pobreza, levou outros milhões a integrar uma nova classe média mundial e se tornou referência em programas de transferência de renda a fim de reduzir a pobreza nas últimas décadas. Mesmo assim, o País patinou e permaneceu na 85ª posição no ranking de IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) da ONU (Organização das Nações Unidas). O Brasil está nessa mesma colocação desde 2007.  

As informações fazem parte do Relatório do Desenvolvimento Humano de 2013 do PNUD (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento), que leva em conta o ano de 2012, divulgado nesta quinta-feira (14) na Cidade do México pela ONU. A nota do Brasil melhora todo ano desde 1990 e, na passagem de 2011 para 2012, passou de 0,728 para 0,730.

O representante do PNUD, Jorge Chediek, afirmou nesta quinta-feira (14) que o Brasil é um dos principais protagonistas das mudanças globais.

— O IDH do Brasil melhorou 24% nos últimos anos, muito mais que Chile, Argentina e todos os Brics. A nova realidade global mostra que o Brasil é um dos principais protagonistas dessas mudanças globais e representa países que podem, em muito pouco tempo histórico, mudar as condições de desenvolvimento de jeito radical.

A liderança do ranking pertence à Noruega, cujo IDH subiu de 0,953 para 0,955. A segunda colocada da lista é a Austrália, onde o IDH está em 0,938. Os Estados Unidos estão na terceira posição, com índice de 0,937.  

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O levantamento indica que os programas pioneiros de transferência de renda no Brasil, Índia e México “ajudaram a estreitar as acentuadas diferenças de rendimento e a melhorar a saúde e a educação das comunidades pobres”.  

Apesar da melhora, o Brasil está atrás de países como Argentina, Rússia (parceira comercial importante e membro dos Brics), México e Líbia. Os argentinos têm IDH 0,811, o que a coloca na 45ª posição; a Rússia está em 55º lugar, com 0,788 de IDH; o México tem 0,775, 61º lugar na lista; e a Líbia, que teve a estimativa do PIB reajustado pelo Fundo Monetário Internacional, está na 64ª colocação, com 0,769.  

Por outro lado, o Brasil tem motivo para comemorar. Com exceção da Rússia, o IDH brasileiro está à frente de todos os outros países dos Brics — África do Sul, China e Índia. O país africano, onde o IDH está em 0,629, aparece na 121ª posição; a China melhorou quatro posições entre 2011 e 2012, mas está em 101º lugar do ranking; já a Índia ocupa o 136º posto, com IDH 0,554.  

O IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) é um índice que varia de 0 a 1 e mede a evolução de 187 países e territórios nas áreas da saúde, educação e rendimento. O indicador foi usado pela primeira vez no primeiro Relatório de Desenvolvimento Humano, em 1990, como uma medida composta do desenvolvimento, que tinha o objetivo exclusivo de avaliar o progresso nacional na economia.    

Expectativa de vida

O relatório registrou também um avanço na expectativa de vida dos brasileiros nas últimas décadas. Em 1980, a média de anos de vida no País era de 62,5. Em 2012, este número saltou mais de dez anos, passando para 73,8.

*Colaborou Marina Marquez, do R7, em Brasília