Câmara e Senado definem presidentes em semana crucial para o futuro do governo Temer

Presidente precisa apoio no Congresso para passar reformas, como da Previdência e Trabalhista

Deputados e senadores voltam ao trabalho nesta semana em Brasília já com a tarefa de escolher os presidentes da Câmara e do Senado, peças cruciais no xadrez político.

Os vencedores da disputa, além de estarem na linha sucessória da Presidência da República (na ausência do presidente, por não haver atualmente vice, quem assume é o presidente da Câmara, e na ausência deste, o do Senado) são também os donos da 'pauta' das Casas.

São eles que definem o que será votado, escolhem os membros de comissões, reúnem os líderes para discutir as prioridades, entre outras atribuições. 

Por serem os 'donos da pauta', sua atuação é crucial para Michel Temer. O presidente precisa aprovar no Congresso reformas difíceis neste ano, como da Previdência e Trabalhista. Sem elas, terá dificuldades para estimular a economia e ter em 2018, ano eleitoral, uma situação mais confortável. E sem o controle da Câmara e do Senado, dificilmente as reformas serão aprovadas. 

Apesar de não apoiar formalmente nenhum candidato, o Palácio do Planalto está alinhado às candidaturas de Rodrigo Maia (DEM-RJ) na Câmara e de Eunício Oliveira (PMDB-CE) no Senado. E, como já há nos bastidores consenso entre os parlamentares em torno desses nomes, dificilmente haverá algum surpresa no resultado da eleição. O que pode alterar o resultado, e apenas na disputa da Câmara, é a questão jurídica: uma ação e um mandado de segurança no STF questionam a constitucionalidade da reeleição de Maia. Neste caso, a base aliada tem outro candidato: Jovair Arantes (PTB-GO). 

Maia confirmou sua candidatura ao comando da Câmara ontem

Maia confirmou sua candidatura ao comando da Câmara ontem

Leonardo Prado/05.10.2016/Câmara dos Deputados

Eleição na Câmara

A votação secreta está marcada para a quinta-feira (2), a partir das 9h. Serão eleitos o presidente, dois vices, quatro secretários e quatro suplentes para compor a mesa diretora. Mas a disputa já começou durante o recesso, com articulação intensa dos candidatos e viagens pelos Estados para convencer os colegas deputados.

Oficialmente, há cinco candidatos: Jovair Arantes (PTB-GO), do bloco de partidos que apoia Temer chamado Centrão, Rogério Rosso (PSD-DF) também do Centrão, André Figueiredo (PDT-CE)), o único representante da oposição, e Julio Delgado (PSB-MG), que entrou apenas ontem na disputa.

Favorito, Maia também anunciou sua candidatura ontem. Fez campanha pelo País e recebeu apoio formal da maioria dos partidos. 

Eleição no Senado

Eunício Oliveira é o favorito para assumir presidência do Senado

Eunício Oliveira é o favorito para assumir presidência do Senado

Divulgação

Acontece já nesta quarta-feira (1º), um dia antes da disputa na Câmara. Assim como na Câmara, pela tradição, o partido com maior bancada na Casa tem preferência indica o novo presidente do Senado. Apesar de haver votação, dificilmente o candidato do maior partido é derrotado. O senador Eunício Oliveira (CE) é o nome escolhido pelo partido e conta tem o apoio da maior parte das legendas.

No entanto, na última semana, o senador José Medeiros (PSD-MT), lançou candidatura para concorrer à vaga. Apesar de não ter o apoio oficial de seu partido, o senador acredita que “há espaço” para a disputa e nega que haja uma ruptura ou racha no Senado, já que seu partido é da base aliada de Temer. 

As negociações entre os partidos também envolvem as indicações para os demais cargos da Mesa Diretora do Senado. Como alcançou o posto de segunda maior bancada da Casa, caberá ao PSDB ocupar a primeira vice-presidência ou a primeira secretaria, deixando a segunda opção para o PT.

Atualmente, a primeira vice-presidência é ocupada pelo petista Jorge Viana (AC) e há negociações em curso para que ele seja mantido no cargo.