Brasil Caminhoneiros divergem sobre protesto em defesa do governo

Caminhoneiros divergem sobre protesto em defesa do governo

Parte das lideranças participa da convocação nas redes sociais e em grupos de Whatsapp, enquanto outros afirmam que a categoria não deve aderir

Greve parou o país por dez dias em maio de 2018

Greve parou o país por dez dias em maio de 2018

Douglas Magno/O Tempo/Estadão Conteúdo - 21.5.2018

Lideranças de caminhoneiros que participaram da greve da categoria em maio do ano passado divergem sobre a participação na manifestação de domingo (26) em defesa do governo. Nesta terça-feira (21), o governo informou que o presidente Jair Bolsonaro (PSL) decidiu não comparecer ao ato.

Há um ano, a paralisação de dez dias dos caminhoneiros por causa do aumento do diesel provocou desabastecimento em todo o país e reduziu 1,2 ponto porcentual do Produto Interno Bruto (PIB) de 2018.

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Parte das lideranças participa da convocação nas redes sociais e em grupos de Whatsapp, enquanto outros afirmam que a categoria não deve participar.

Segundo o presidente da Associação Brasileira dos Caminhoneiros (Abcam), José da Fonseca Lopes, a entidade não vai participar porque tem como foco principal negociar com o governo uma nova política de definição de preços para o diesel, já que os seguidos aumentos aplicados pelo Petrobrás, além dos valores cobrados, são apontados como a principal ameaça à categoria.

Lopes afirma que o cenário ainda é “confuso” e entende que a manifestação, da forma que está sendo chamada, pode não ajudar. “Esse negócio de dizer que vai fazer em prol do presidente, chega na hora ‘h’ vira tudo”, afirma Fonseca. Segundo ele, a entidade representa 452 mil caminhoneiros autônomos.

Outros representantes da categoria, porém, defendem a participação na manifestação. Wanderley Alves, o Dedéco, que foi candidato a deputado federal pelo Podemos, afirmou nesta terça-feira que vai comparecer ao ato em Curitiba para mostrar apoio ao presidente. “A mensagem que a Câmara passa é que só vai dar andamento aos projetos se o governo negociar ministério, negociar cargo. Não aceitamos isso”, afirma.

Ele argumenta que o fato de projetos do Executivo não terem andamento mais rápido no Congresso prejudica a economia do país e, consequentemente, afeta os caminhoneiros. “Não tem carga porque a economia do país está parada”, diz.

Outro representante de caminhoneiros, Ramiro Cruz, que também foi candidato à deputado federal pelo PSL, divulgou em sua página nas redes sociais que vai participar do ato. Ele critica a atuação dos poderes Legislativo e Judiciário e fala em “destituição”. “Estamos fartos de tanta podridão nos bastidores.”