Casos confirmados de covid-19 entre indígenas chegam a 23

As ocorrências concentram-se em cinco DSEI (Distritos Sanitários Especiais Indígenas), todos da região Norte do Brasil 

Informação foi confirmada pela Secretaria Especial de Saúde Indígena

Informação foi confirmada pela Secretaria Especial de Saúde Indígena

Thilo Schmuelgen/Reuters

O balanço mais recente da Sesai (Secretaria Especial de Saúde Indígena) relaciona um total de 23 casos confirmados de covid-19 entre a população indígena. Com informações atualizadas às 17h dessa quinta-feira (16), o relatório considera outros 25 casos suspeitos, ou seja, que ainda estão sob investigação.

Os casos confirmados concentram-se em cinco DSEI (Distritos Sanitários Especiais Indígenas), todos da região Norte do país. São eles: Alto Rio Solimões, que soma oito ocorrências (34,8%); Manaus, com 12 (52,2%) e Médio Rio Purus, Parintins e Yanomami, que têm, cada um, somente um caso (4,3%, cada). Ao todo, 12 pacientes são do gênero feminino e 11 do masculino.

A média é de 32 anos de idade, sendo que apenas dois deles têm entre 60 e 79 anos. Uma das vítimas fatais da doença, porém, foi o yanomami Alvaney Xiriana, que tinha apenas 15 anos de idade.

Também entram na conta da Sesai 46 casos descartados após testagem, que representam quase metade (48,9%) do total, e seis recuperações, identificadas como curas clínicas. No total, três óbitos de indígenas infectados pelo Sars-Cov-2 constam dos registros oficiais do governo federal.

O caso suspeito de covid-19 foi notificado em 26 de fevereiro deste ano, mas foi descartado. No boletim epidemiológico, a pasta acrescenta que o paciente que teve o primeiro diagnóstico confirmado começou a apresentar sintomas em 17 de março. "A notificação dos dois primeiros casos confirmados ocorreu na semana epidemiológica 13 (22/03 a 28/03), com um pico na semana epidemiológica 15 (05/04 a 11/04)", complementa.

A Sesai observa, no relatório, que sete infectados declararam ter viajado para locais onde se identificou transmissão comunitária (quando se torna impossível mapear a cadeia de propagação) e que 12 tiveram contato próximo com algum caso suspeito de covid-19. Além disso, 17 afirmaram ter tido contato com um paciente que testou positivo e três receberam atendimento em unidades de saúde nos 14 dias anteriores ao início dos sintomas.

Outro detalhe fornecido pela secretaria que ajuda na compreensão de como o vírus tem circulado nas comunidades indígenas é o fato de que 12 casos são de aldeias próximas a município com transmissão comunitária declarada. Dos três indígenas falecidos, dois foram infectados em unidades do Sistema Único de Saúde (SUS), onde faziam tratamento; um em Manaus e o outro em Boa Vista.

Distanciamento social

No último dia 2, o Ministério Público Federal (MPF) emitiu nota recomendando ações emergenciais de proteção à saúde dos povos indígenas. O órgão afirma que "as medidas de restrição de acesso em vigor atualmente não garantem proteção territorial suficiente para evitar o contágio dos povos indígenas pelo novo coronavírus". 

No entendimento do MPF, a presença "de garimpeiros, madeireiros, dentre outras atividades criminosas" acaba anulando a proteção que políticas sanitárias e de isolamento social poderiam assegurar. O órgão pede que a Funai |(Fundação Nacional do Índio) implemente "imediatamente medidas de proteção territorial em todas as terras indígenas identificadas ou delimitadas, declaradas ou homologadas". O apelo segue na mesma linha de uma mensagem veiculada pela Articulação dos Povos Indígenas do Brasil.

Para garantir o isolamento social, diversas aldeias têm se organizado para barrar a entrada de pessoas de fora das comunidades. De acordo com o Conselho Indigenista Missionário (Cimi), até esta quarta-feira (15), havia bloqueios em 12 estados, feitos por 23 povos.