Eleições 2018

Brasil Ciro critica Haddad por causa da PEC do teto de gastos

Ciro critica Haddad por causa da PEC do teto de gastos

Para presidenciável do PDT, candidatos ao Planalto precisam "criar ambiente" para revogar o teto de gastos, sob risco de promessas não serem cumpridas

Ciro esteve hoje na SBPC

Ciro esteve hoje na SBPC

Nacho Doce/Reuters - 18.09.2018

O candidato do PDT à Presidência, Ciro Gomes, reiterou nesta terça-feira (18) a promessa de revogar a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 95, também conhecida como PEC do Teto de Gastos, e aproveitou para criticar seu adversário, Fernando Haddad (PT).

"Fiquei muito constrangido ontem com o Haddad, que anunciou que vai manter a PEC 95 e excluir só o investimento. Só que, no código de contabilidade brasileiro, o financiamento em Pesquisa e Desenvolvimento não é investimento, é custeio", exemplificou o candidato do PDT. "Aí vem dizer que a prioridade é C&T (ciência e tecnologia), que o PT é o rei do abacaterol, não é não, é mentira."

Ciro, que se reuniu com a SBPC (Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência) nesta terça-feira, reclamou ainda de, na sua opinião, ter ficado com o ônus de defender os avanços da pauta conservadora, enquanto Haddad começa a fazer um novo aceno à centro-direita. "Aí fico eu sozinho pagando o desgaste de ter que reclamar contra militar, de reclamar contra banqueiro e, nas minhas costas, aproveitando que eu sou progressista, eles tentam me obrigar a engolir essas coisas? Isso não vai acontecer mais".

Segundo ele, os candidatos precisam criar um ambiente para revogar a regra do teto. Caso contrário, não será possível cumprir com as promessas feitas pelos presidenciáveis em suas campanhas. "A tarefa não pode ser só minha. Ou a gente cria um ambiente para revogar a PEC 95 ou todos os programas, meus e de meus adversários, são mentira."

Segundo a Coluna do Estadão, Haddad se movimenta para acenar ao eleitorado do PSDB nessa reta final do primeiro turno. Ele próprio tocou no assunto na segunda-feira. "Tem muitas pessoas que apoiaram o golpe e estão revendo sua posição. O próprio PSDB já fez uma autocrítica. Isso constrói possibilidades de diálogo", disse Haddad na segunda, se referindo à entrevista de Tasso Jereissati ao jornal O Estado de S. Paulo na semana passada.

"A Katia me completa", avalia ciro

"A Katia me completa", avalia ciro

Divulgação

Ciro chama CNA de 'fascista' e defende Katia Abreu

Ciro defendeu hoje a escolha de Katia Abreu (PDT-TO) como sua vice e atacou a CNA (Confederação Nacional da Agricultura), entidade que a senadora já presidiu. Segundo o pedetista, a CNA virou hoje um grupo de fascistas e apoiadores de Jair Bolsonaro, candidato do PSL, à Presidência.

O presidenciável argumentou que a escolha de Katia Abreu complementa a sua candidatura, que precisa olhar para além do eleitorado e os parlamentares progressistas num eventual governo. "Como acham que vou conseguir revogar a PEC 95? Preciso de 308 votos em quatro votações. Estou preparado para ceder em algumas coisas. A Katia me completa", defendeu.

Ciro disse ainda que a própria Katia viveu um descolamento em relação aos grupos mais conservadores que representava e deu como exemplo a CNA. "Hoje a Katia Abreu é persona non grata (na entidade). E eles são tudo Bolsonaro, tudo doente, tudo fascista", disse o ex-governador do Ceará, ressaltando que o convite dos ruralistas foi o único que recusou nesta campanha. O presidenciável criticou ainda os que pensam que é possível fazer política sem abrir espaço para o contraditório.

Segundo Ciro, o candidato do PT e seu adversário, Fernando Haddad, teria o mesmo problema. "Haddad é um baita de um cara, bonitão, um FHC redivivo, e acabou de entregar São Paulo para Doria no primeiro turno."

O pedetista, no entanto, disse que tal comportamento não "desqualifica a pessoa". "Se a gente quer mexer no destino da pátria, eu tenho que me preparar para, ganhando a eleição, governar o País."

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