Brasil Ciro Gomes chama Eduardo Cunha de 'gângster' que 'pilota um golpe de Estado'

Ciro Gomes chama Eduardo Cunha de 'gângster' que 'pilota um golpe de Estado'

Nos EUA, Ciro disse que País pode ter crise bancária se dívida pública não for controlada

Ciro Gomes já foi ministro da Fazenda e governador do Ceará

Ciro Gomes já foi ministro da Fazenda e governador do Ceará

Roosewelt Pinheiro/29.07.2010/ABr

O ex-ministro da Fazenda e ex-governador do Ceará, Ciro Gomes, fez duras críticas neste sábado (23) durante a Brazil Conference, evento realizado em Boston, nos Estados Unidos, pela Universidade Harvard e o Massachusetts Institute of Technology (MIT).

Embora não concorde com o governo atual, o ex-ministro da Fazenda avaliou que o Brasil está perdendo sua condição democrática à medida que ocorre o que chamou de golpe no País, em referência ao processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff.

— O Brasil está perdendo a condição democrática, a prevalência da soberania popular.

Ressalvando ser um crítico do governo — "ele é mau e falha em todas as questões" — Ciro Gomes disse que o ex-presidente Michel Temer está "golpeando o País".

O ex-governador comparou ainda a situação brasileira à enfrentada pelo Paraguai, com a destituição do presidente Fernando Lugo, e também à da Venezuela.

— Estão se utilizando de protocolos no País e da propaganda para implementar um golpe.

Ele voltou a atacar o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha.

— É um gângster mesmo e está pilotando um golpe de Estado. É réu do Supremo Tribunal Federal por desvios, lavagem de dinheiro, contas ilícitas no exterior. A Justiça só achou a ponta de iceberg.

Para Ciro Gomes, a realização de dois processos de impeachment no Brasil em 24 anos "não é pouca coisa", disse, lembrando o impedimento de Fernando Collor de Mello, em 1992. Ele apontou ainda a tentativa de, no passado, o PT tentar destituir Fernando Henrique Cardoso do comando do País.

Controle fiscal

Ciro fez ainda um alerta para a proporção da dívida pública em relação ao Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro e destacou o risco de o atual cenário político-econômico resultar em uma crise bancária no Brasil.

"Hoje, é preciso colocar muita clareza no manejo da dívida pública no País. É necessário compreender o galope da dívida como proporção do PIB, do contrário a iminência da crise será uma crise bancária no País", afirmou, ao se referir à importância de o Brasil fazer reformas tributária e fiscal.

Segundo ele, o Estado é ineficiente e gasta mais onde não devia. O político diz que em setores necessários como educação e saúde, o desembolso público per capita está abaixo do ideal, enquanto os maiores gastos são com previdência e juros da dívida pública.

"Temos um estrangulamento de financiamento crônico no Brasil e a taxa de juros mais cara do planeta", destacou Gomes, reforçando a necessidade de um debate em torno do tema.

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