Brasil Comentários de Bolsonaro 'são perturbados', diz Glenn Greenwald

Comentários de Bolsonaro 'são perturbados', diz Glenn Greenwald

Jornalista respondeu pelo Twitter que "para prender alguém, tem que apresentar provas para um tribunal que eles cometeram um crime"

Greenwald publicou resposta nas redes sociais

Greenwald publicou resposta nas redes sociais

Marcos Oliveira/Agência Senado - 11.07.2019

O jornalista americano Glenn Greenwald rebateu neste sábado (27), declarações de Jair Bolsonaro, dizendo que as falas do presidente eram "comentários perturbados". "Ao contrário dos desejos de Bolsonaro, ele não é (ainda) um ditador. Ele não tem o poder de ordenar pessoas presas. Ainda existem tribunais em funcionamento. Para prender alguém, tem que apresentar provas para um tribunal que eles cometeram um crime. Essa evidência não existe", publicou o jornalista no Twitter.

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Mais cedo, Bolsonaro havia dito que o jornalista americano, um dos fundadores do site The Intercept Brasil, poderia parar na prisão aqui no Brasil. "Ele não vai embora. O 'Green' pode ficar tranquilo. Talvez pegue uma cana aqui no Brasil, não vai pegar lá fora não", afirmou.

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A declaração do presidente foi feita durante evento na Vila Militar, em Deodoro, no Rio de Janeiro. O presidente comentava uma portaria publicada esta semana pelo ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, que permite a deportação "sumária" de estrangeiros considerados "perigosos". Bolsonaro, porém, negou que a medida tenha ligação com o jornalista americano, cujo site vem publicando supostos diálogos entre Sergio Moro e procuradores da Lava Jato em Curitiba.

Adoção

Glenn Greenwald também criticou a fala de Bolsonaro sobre a adoção de seus dois filhos. Segundo Greenwald, ele se casou com o deputado federal David Miranda (PSOL-RJ) há 14 anos. "Sugerir que alguém adotaria - e cuidaria de - dois filhos para manipular a lei é nojenta. O Brasil tem 47.000 crianças em abrigos. A adoção é linda e deve ser encorajada, não zombado", escreveu o jornalista. Bolsonaro sugeriu que o casal teria adotado os filhos para se proteger se supostas sanções.

Repúdio

A Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) repudiou os comentários de Bolsonaro. "Ao ameaçar de prisão um jornalista que publica informações que o desagradam, o presidente Bolsonaro promove e instiga graves agressões à liberdade de expressão. Sem jornalismo livre, as outras liberdades também morrerão. Chega de perseguição", publicou a entidade no Twitter.

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