CPI da Covid

Brasil Congresso não admitirá atentado a sua independência, diz Pacheco

Congresso não admitirá atentado a sua independência, diz Pacheco

Presidente do Senado tenta abrandar crise entre Congresso e Forças Armadas após comentário de Omar Aziz na CPI da Covid

  • Brasil | Gabriel Croquer, do R7

Pacheco também deu recado a Bolsonaro sobre ameaças contra eleições

Pacheco também deu recado a Bolsonaro sobre ameaças contra eleições

Pedro Gontijo/Senado Federal

O presidente do Senado Federal, Rodrico Pacheco (DEM-MG), afirmou nesta sexta-feira (9), um dia depois de crise entre o Senado e as Forças Armadas, que o Congresso não admitirá "atentado" a sua independência e retrocessos de outras décadas. Em resposta às ameaças do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) para impor as eleições com voto impresso, o parlamentar também comentou que a decisão do Senado e Câmara sobre a questão "haverá de ser respeitada".  

"Quero aqui afirmar a independência do Parlamento Brasileiro, independência do Congresso Nacional composto por suas duas Casas, o Senado Federal e a Câmara, e não admitirá quaquer atentado a esta sua independência e sobretudo às prerrogativas dos parlamentares: palavras, opiniões e votos", disse em pronunciamento à imprensa.

A questão surgiu nesta quarta-feira (7) depois que o presidente da CPI da Covid, Omar Aziz (PSD-AM), criticou os militares do "lado podre" que estivessem envolvidos em supostos esquemas de corrupção para compra de vacinas contra covid-19. Em resposta, comandantes das Forças Armadas e o Ministério da Defesa emitiram nota conjunta afirmando que "não aceitarão qualquer ataque leviano".

"Olha, eu vou dizer uma coisa: as Forças Armadas, os bons das Forças Armadas devem estar muito envergonhados com algumas pessoas que hoje estão na mídia, porque fazia muito tempo, fazia muitos anos que o Brasil não via membros do lado podre das Forças Armadas envolvidos com falcatrua dentro do governo", disse Aziz.

Ele citou ainda os presidentes da ditadura militar, João Figueiredo e Ernesto Geisel, como exemplo da integridade dos militares, dizendo que os dois morreram pobres. "E eu estava, naquele momento, do outro lado, contra eles. Uma coisa de que a gente não os acusava era de corrupção, mas, agora, Força Aérea Brasileira, Coronel Guerra, Coronel Elcio, General Pazuello e haja envolvimento de militares", completou.

Poucas horas depois, o ministro da Defesa, Braga Netto, e os comandantes do Exército, Marinha e Aeronáutica, o general Paulo Sérgio, tenente-brigadeiro Carlos Almeida Baptista Junior, e o almirante Almir Garnier Santos, respectivamente, emitiram nota onde classificaram o discurso de Aziz como uma generalização e acusação "irresponsável".

Em seu pronunciamento, Pacheco acrescentou que considera o episódio "encerrado", mas que ainda vai conversar com os comandantes da Aeronáutica e da Marinha sobre o problema.

Eleições com voto impresso

O senador também deu recado ao presidente Jair Bolsonaro (sem partido) sobre o voto impresso nas eleições de 2022. Nesta sexta, o Bolsonaro atacou mais uma vez o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) e presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), Luís Roberto Barroso, que é contrário ao voto impresso, e disse que as eleições do ano que vem podem não ocorrer

"Essa definição [do voto impresso] não será feita pelo Poder Executivo, não será feita pelo Tribunal Superior Eleitoral, será feita pelo Congresso Nacional através de uma Proposta de Emenda à Constituição que está sendo debatida", afirmou Pacheco. "E a decisão que houver por parte do Congresso Nacional – primeiro pela Câmara dos deputados, depois pelo Senado Federal – haverá de ser respeitada por todos os poderes e todas as instituições no Brasil". 

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