CPI da Covid

Brasil Congresso não é delegacia de polícia, diz Lira sobre CPI da Covid

Congresso não é delegacia de polícia, diz Lira sobre CPI da Covid

Presidente da Câmara acredita que investigação vai paralisar ações de enfrentamento à pandemia e pode atrasar vacinação em massa

Reuters
"Estamos brigando com nós mesmos, politizamos demais a crise", disse Lira sobre a CPI

"Estamos brigando com nós mesmos, politizamos demais a crise", disse Lira sobre a CPI

Pablo Valadares/Câmara dos Deputados - 15.04.2021

O presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), avaliou nesta segunda-feira, véspera de instalação da CPI da Covid no Senado, que uma investigação do Legislativo neste momento é uma "perda de tempo" e poderá atrasar votações importantes.

Lira lembrou que a CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) irá demandar ações e estruturas do Legislativo, do Executivo Federal, de Estados e municípios.

"É perda de tempo neste momento se instalar uma CPI, porque o Congresso não é delegacia de polícia neste momento, é a Casa de leis. Neste momento precisamos produzir que facilitem a vida do cidadão", disse o presidente da Câmara em entrevista à Jovem Pan.

"Neste momento em nada vai contribuir para a diminuição de mortes ou o aumento de vacinas, que é o que nós precisamos", afirmou.

O presidente da Câmara já declarava essa posição mesmo antes de se eleger para o comando da Câmara, assim como o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), que fiava-se na prerrogativa de analisar a conveniência e o momento oportuno para determinar a criação e instalação da CPI.

Pacheco, no entanto, se viu forçado a criar a comissão a partir de decisão monocrática do ministro do Supremo Tribunal Federal Luís Roberto Barroso, depois chancelada pelo plenário da corte.

"Estamos brigando com nós mesmos, politizamos demais a crise", avaliou Lira nesta segunda.

"Nós agora estamos às vésperas da instalação de uma CPI. Eu continuo na mesma posição: não seria o momento de todos nós estarmos focados em encontrarmos soluções, vacinas, situações de convívio em vez de estarmos agora neste momento paralisando uma das Casas – porque vai paralisar – para tentarmos encontrar culpados?", disse.

Questionado, o presidente da Câmara também comentou os mais de 100 pedidos de impeachment contra o presidente Jair Bolsonaro e a iniciativa de partidos, movimentos sociais, juristas e lideranças religiosas que discutem a unificação de vários dos argumentos já apresentados para compilar um "superpedido".

Lira considerou a movimentação e a pressão naturais, uma vez que o país está "dividido", referindo-se aos índices de apoio a Bolsonaro e ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

"É normal, é democrático. O Brasil está literalmente dividido. Você tem aí um ex-presidente com 30%, e o atual presidente com 30%", avaliou.

Lira lembrou ainda que cabe ao presidente da Câmara não apenas avaliar os fatos e argumentos das peças, mas também a "oportunidade" e a "conveniência" de dar prosseguimento a elas. Segundo ele, 90% a 95% dos pedidos "não têm absolutamente nenhuma razão de ter sido apresentado, a não ser um fato político que queira se gerar", e alguns outros têm "muito pouca coisa".

"Então neste momento, neste momento, não é conveniente você tratar de um assunto dessa gravidade com esse tamanho. Então qualquer pedido de impeachment precisa ser oportunizado, é uma mudança drástica na sociedade brasileira."

O deputado voltou a dizer que "no tempo adequado" irá analisar e se pronunciar sobre os pedidos "de forma responsável".

"Quem errou, se errou, quem cometeu erros, dolo, falta de boa gestão no recurso público com relação à Covid, estará necessariamente responsabilizado no tempo adequado."

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