CPI da Covid

Brasil Coronel dá à CPI documento sobre reunião com número 2 de Pazuello 

Coronel dá à CPI documento sobre reunião com número 2 de Pazuello 

Encontro envolveu o ex-chefe da Secretaria-Executiva do Ministério da Saúde Elcio Franco e representantes da Davati

  • Brasil | Do R7, com informações da Agência Estado

O tenente-coronel da reserva Helcio Bruno de Almeida

O tenente-coronel da reserva Helcio Bruno de Almeida

Jefferson Rudy/Agência Senado - 10.08.2021

Um documento entregue pelo tenente-coronel Helcio Bruno Almeida à CPI da Covid nesta terça-feira (10) comprova que o ex-secretário-executivo do Ministério da Saúde Elcio Franco se reuniu com representantes da Davati no dia 12 de março para negociar a compra de vacinas contra a covid-19. 

Elcio Franco foi número 2 do ex-ministro Eduardo Pazuello à frente da pasta. A Davati tentou vender 400 milhões de doses do imunizante para o governo federal sem comprovar a entrega de doses nem ter o aval dos fabricantes. A negociação virou alvo da CPI, que suspeita de um esquema de corrupção.

De acordo com registro da reunião anotado em ata pela Secretaria-Executiva do ministério, o encontro contou com dez pessoas "para tratar sobre vacinas contra a covid-19". Além do Instituto Força Brasil, presidido pelo tenente-coronel Almeida, estavam presentes representantes da ONG Senah (Secretaria Nacional de Assuntos Humanitários), presidida pelo reverendo Amilton de Paula, da empresa BR Med Saúde Corporativa e da Davati.

A reunião foi agendada para discutir a regulamentação da compra de vacinas pela iniciativa privada, de acordo com o tenente-coronel. No dia 10, dois dias antes do encontro, o presidente Jair Bolsonaro havia sancionado uma lei autorizando empresas privadas a comprarem imunizantes. A legislação, porém, obriga as companhias a doarem todas as doses para o Sistema Único de Saúde até a vacinação dos grupos prioritários.

Nesse mesmo período, a Câmara começou a discutir um projeto ampliando o aval para as empresas privadas negociarem vacinas.

Propina

O tenente-coronel Helcio de Almeida, que é presidente do Instituto Força Brasil, disse nunca ter presenciado oferta ou cobrança de propina durante as conversas do Ministério da Saúde com a Davati. 

O policial militar Luiz Paulo Dominghetti, que atuou como lobista da Davati, relatou ter recebido pedido de propina de US$ 1 por dose na oferta de 400 milhões de doses feita ao governo. O pedido teria partido do ex-diretor de Logística do Ministério da Saúde Roberto Dias, que nega ter praticado irregularidades.

Helcio de Almeida negou nesta terça que negou que tenha participado de alguma oferta ou pedido de vantagem indevida na negociação de vacinas com o Ministério da Saúde. 

"Jamais participei de qualquer reunião ou encontro no qual teria sido oferecida ou solicitada vantagem indevida por quem quer que seja e também informo que jamais estive presente em qualquer jantar com o senhor Luiz Paulo Dominghetti - muito menos no que teria ocorrido em 25 de fevereiro", declarou o tenente-coronel.

Na reunião de março, de acordo com ele, a Davati não apresentou os documentos necessários para comprovar a entrega de doses da AstraZeneca.

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