CPI da Covid

Brasil CPI pede que Bolsonaro confirme ou negue denúncia de Luis Miranda

CPI pede que Bolsonaro confirme ou negue denúncia de Luis Miranda

Senadores cobram manifestação do presidente sobre denúncia que inclui suposta reunião com alerta sobre compra da Covaxin

  • Brasil | Do R7

O senador Omar Aziz (PSD-AM), presidente da CPI

O senador Omar Aziz (PSD-AM), presidente da CPI

Pedro França/Agência Senado - 08.07.2021

O presidente da CPI da Covid, senador Omar Aziz (PSD-AM), afirmou nesta quinta-feira (8) que enviou uma carta ao presidente Jair Bolsonaro (sem partido) para que ele confirme ou negue denúncias do deputado federal Luis Miranda (DEM-DF) feitas à comissão em 25 de junho.

O deputado e seu irmão, Luis Ricardo Miranda, chefe da divisão de importação no Departamento de Logística do Ministério da Saúde, afirmam que levaram suspeitas sobre a compra da vacina indiana Covaxin ao presidente da República após "pressões anormais" pela importação do imunizante.

Trata-se da vacina mais cara entre as negociadas pelo governo federal. O contrato de R$ 1,6 bilhão é investigado pela comissão e pelo MPF (Ministério Público Federal) por supostas irregularidades. A reunião foi realizada em 20 de março, segundo Miranda. Em junho, a compra foi suspensa pelo governo.

Aziz falou da carta após o presidente Jair Bolsonaro criticá-lo em conversa com apoiadores na saída do Palácio da Alvorada. Um dia após o presidente da CPI determinar a prisão do ex-servidor do Ministério da Saúde, Roberto Dias, Bolsonaro disse que Omar Aziz desviou R$ 260 milhões no Amazonas. A afirmação baseia-se na investigação do Ministério Público na operação "Maus Caminhos", deflagrada em 2016 para apurar desvios na área da Saúde no Estado. O parlamentar é um dos suspeitos de participar do esquema, mas nunca foi condenado.

O presidente da CPI respondeu às críticas e afirmou que desafia Bolsonaro a apontar um processo em que seja réu ou investigado. Afirmou ainda que, com o ofício, não está fazendo pré-julgamento, mas sim procurando esclarecer as denúncias de Miranda. "Senhor presidente, chefe da nação, por favor, diga que o deputado é um mentiroso. Diga que ele está mentindo", disse.

Aziz disse ainda: "Não é o senhor que vai parar essa CPI. Lhe acuso de ser contra a ciência, lhe acuso de não querer fazer propaganda da vacinação, lhe acuso de tentar desqualificar vacinas que salvam vidas. Me acusa de algo que nunca cometi", afirmou. 

O documento enviado pela CPI é assinado, além de Aziz, pelo vice-presidente da CPI, Randolfe Rodrigues (Rede-AP), e pelo relator, Renan Calheiros (MDB-AL). O documento já foi protolocado no Palácio do Planalto.

Denúncia

Na denúncia, o deputado Luis Miranda afirmou que Bolsonaro disse que a negociação era "coisa" do deputado Ricardo Barros (PP-PR), líder do governo na Câmara e ex-ministro da Saúde. Barros nega ter participado de qualquer conversa envolvendo a compra da Covaxin. 

A CPI investiga se, mesmo ciente de possíveis irregularidades, Bolsonaro prevaricou e deixou o contrato ser executado normalmente.

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