CPI da Covid

Brasil CPI vê contradições após Blanco negar negociação com governo

CPI vê contradições após Blanco negar negociação com governo

Em depoimento, ex-assessor do Ministério da Saúde disse que tentou viabilizar venda de vacinas apenas ao setor privado

Agência Estado
Marcelo Blanco da Costa levou Dominghetti para um jantar com Roberto Dias em fevereiro

Marcelo Blanco da Costa levou Dominghetti para um jantar com Roberto Dias em fevereiro

Jefferson Rudy / Agência Senado / 04.09.2021

A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid apontou contradições na versão do coronel Marcelo Blanco, ex-assessor do Ministério da Saúde, sobre os contatos com a empresa Davati, que tentou vender vacinas para o governo federal sem comprovar a capacidade de entregar doses.

Blanco afirmou que começou a conversar com o policial Luiz Paulo Dominghetti em fevereiro para viabilizar um negócio de venda de vacinas ao setor privado, e não ao governo. Foi o coronel quem levou Dominghetti para um jantar, no dia 25 de fevereiro, com o então diretor de Logística do ministério, Roberto Dias, acusado de pedir propina.

Versão 'imprecisa'

De acordo com documentação entregue na CPI, o representante da Davati no Brasil, Cristiano Carvalho, cobrou de Blanco respostas sobre a negociação com o Ministério da Saúde. Além disso, os senadores apontaram 64 vezes em que Blanco ligou para Dominghetti pelo WhatsApp. De acordo com o relator da comissão, Renan Calheiros (MDB-AL), a versão de negociação apenas no setor privado é "imprecisa".

O senador Marcos Rogério (DEM-RR), aliado do presidente Jair Bolsonaro, criticou o relator por revelar as conversas, que foram protocoladas pela CPI como documentos sigilosos. Renan, no entanto, disse que a catalogação foi feita de forma equivocada e que as conversas foram entregues por Carvalho de forma pública. "É por isso que Vossa Excelência fica preocupado toda vez que essas bandalheiras vêm à tona", disse Renan a Marcos Rogério.

O presidente da CPI, Omar Aziz (PSD-AM), afirmou que Blanco omitiu algumas conversas ao entregar seus documentos para a comissão. O senador Alessandro Vieira (Cidadania-SE) também levantou suspeitas sobre a versão do coronel. "É muita cara de pau", declarou.

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