Novo Coronavírus

Brasil Cresce a pressão pela saída de Pazuello do Ministério da Saúde

Cresce a pressão pela saída de Pazuello do Ministério da Saúde

Desgastado durante a pandemia, general teria pedido para sair, alegando problemas de saúde. Médica é sondada para o cargo

  • Brasil | Do R7, com informações do Estadão Conteúdo, Christina Lemos e Clébio Cavagnolle, da Record TV em Brasília

Se confirmada a saída, Pazuello será o terceiro ministro a deixar a administração Bolsonaro em menos de 1 ano

Se confirmada a saída, Pazuello será o terceiro ministro a deixar a administração Bolsonaro em menos de 1 ano

Alan Santos/PR - 10.03.2021

A pressão pela saída do ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, aumentou nos últimos dias na capital federal. Investigado pelo STF (Supremo Tribunal Federal) e na mira de parlamentares do centrão que buscam emplacar um nome na pasta, o general tem sua continuidade no governo ameaçada em meio aos recordes sucessivos de mortes por covid-19 no País.

Corre nos corredores do Planalto a notícia de que Pazuello pode pedir para deixar o cargo. Se confirmada a informação, o general da ativa do Exército será o terceiro titular da pasta a deixar o cargo em menos de um ano.

O R7 contatou a assessoria de imprensa da pasta, que não confirmou nem negou a informação, dizendo que prepara uma nota oficial sobre o tema. 

Conforme o  blog de Christina Lemos, uma das alegações para o eventual afastamento do ministro seriam problemas de saúde. Pazuello, que teve Covid, estaria apresentando tosse e cansaço, mas mantém a agenda de trabalho. Determinou à assessoria que marque uma entrevista coletiva para esta segunda-feira, para tratar da situação de combate à pandemia no Acre e em Rondônia.

O militar especialista em logística seria substituído por alguém da área de saúde. A cardiologista Ludhmilla Abrahão Hajjar e o presidente da SBC (Sociedade Brasileira de Cardiologia), Marcelo Queiroga, seriam dois nomes cotados para o cargo - o segundo com menos força.

Ao R7, a Secretaria Especial de Comunicação Social da Presidência do Palácio do Planalto confirmou que a cardiologista e intensivista Ludhmila Hajjar, de 42 anos, reuniu-se com Jair Bolsonaro na tarde deste sábado (14).

A cardiologista Ludhmila Abrahão Hajjar, cotada para assumir o Ministério da Saúde

A cardiologista Ludhmila Abrahão Hajjar, cotada para assumir o Ministério da Saúde

Reprodução/Facebook

O presidente da Câmara, Arthur Lira (Progressistas-AL), afirmou em rede social que o "enfrentamento da pandemia exige competência técnica" e, principalmente, "uma ampla e experiente capacidade de diálogo político, pois envolve todos os entes federativos, o Congresso, o Judiciário, além do complexo e multifacetado Sistema Único de Saúde".

Ludhmila é diretora de ciência e tecnologia da Sociedade Brasileira de Cardiologia e coordenadora das UTIs de cardiologia do InCor (Instituto do Coração) e do Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, sendo considerada o braço-direito do cardiologista Roberto Kalil Filho, um dos nomes mais respeitados da cardiologia no país.

Também é professora associada da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), da disciplina de cardiologia. Não tem histórico político, mas atua na linha de frente do enfrentamento ao novo coronavírus. Ela é contra cloroquina e a favor da vacina contra covid-19.

Na sequência de tuítes, Lira elogiou o nome da profissional, colocou-se à disposição caso seja o nome dela seja realmente escolhido por Bolsonaro e enfatizou que a médica reúne as qualidades necessárias para assumir o posto.

"Coloquei os atributos necessários para o bom desempenho à frente da pandemia: capacidade técnica e de diálogo político com os inúmeros entes federativos e instâncias técnicas. São exatamente as qualidades que enxergo na doutora Ludhmila", postou o chefe da Câmara.

Articulações

No sábado à noite, o presidente da República, Jair Bolsonaro, se reuniu com ministros da ala militar do governo no Hotel de Trânsito de Oficiais do Exército, onde mora Pazuello.

Além do ministro da Saúde, participaram da conversa os ministros Luiz Eduardo Ramos, da Secretaria de Governo, Braga Netto, da Casa Civil, e Fernando Azevedo, da Defesa. Todos são generais do Exército da reserva, à exceção de Pazuello, que permanece no serviço ativo.

A reunião ocorreu de última hora e não constava na agenda do presidente e dos ministros. Eles deixaram o local sem dar declarações à imprensa.

Apesar de os ministros palacianos garantirem nos bastidores que o presidente apoia a permanência de Pazuello, aumenta a cada dia a pressão política pela troca.

Ele é alvo de investigações no STF pela crise no sistema de saúde e tem sido cada vez mais contestado no Congresso. Partidos, como o Progressistas, aliado com o Centrão a Bolsonaro, cobiçam emplacar um nome na pasta.

O governo trabalha para conseguir o mais rápido possível ampliar a quantidade de vacinas disponíveis para prevenção da covid-19, mas o País bate recordes de mortos e infectados a cada semana, ao passo que Pazuello tem sido obrigado a rever para baixo a previsão de vacinas disponíveis neste mês.

No sábado, o ministro manteve reunião com governadores do Nordeste - em sua maioria de oposição a Bolsonaro. Eles anunciaram a compra de 37 milhões de doses da vacina russa Sputnik V contra a covid-19 e fizeram acordo com o governo federal para que as doses passem a ser consideradas parte do Plano Nacional de Imunização.

Um novo cronograma de entrega de imunizantes foi apresentado aos chefes dos executivos estaduais.

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