Críticas da UE sobre desmate são infundadas, diz Bolsonaro

A fala ocorre quando representantes de países europeus participam de visita ao Norte do país acompanhados do vice-presidente Hamilton Mourão

Presidente realiza plantio durante cerimônia de inauguração da PCH Bedim

Presidente realiza plantio durante cerimônia de inauguração da PCH Bedim

Marcos Corrêa/PR-06/11-2020

 O presidente Jair Bolsonaro afirmou nesta sexta-feira (6) que as críticas de países da União Europeia quanto ao desmatamento no Brasil são "completamente infundadas", em especial às relacionadas à Amazônia. A fala ocorre quando representantes de países europeus participam do último dia de visita ao Norte do país acompanhados do vice-presidente Hamilton Mourão e os ministros do Meio Ambiente, Ricardo Salles, e Tereza Cristina, da Agricultura.

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"Ninguém no mundo, eu desconheço, tem fontes de energias limpas como nós temos. Pega os países mais críticos a nós, que participam da União Europeia, essas suas críticas são completamente infundadas em especial quando falam da nossa região amazônica", disse Bolsonaro.

Em evento de inauguração de uma pequena central hidrelétrica (PCH), em Renascença (PR), Bolsonaro afirmou que no ano que vem por meio da regularização fundiária será possível "dar uma satisfação" às acusações relacionadas ao deflorestamento e queimadas no Brasil.

Ele também voltou a repetir que o Brasil é o País que mais preserva o meio ambiente, apesar dos altos índices registrados neste ano de desmatamento e focos de incêndio nos biomas do Pantanal e da Amazônia.

Bolsonaro afirmou que na área ambiental pretende, em 2021, dar continuidade ao projeto de regularização fundiária, algo que segundo ele não foi possível neste ano. "Pretendemos o ano que vem conseguir o que não conseguimos nesse ano quando se fala em meio ambiente, conseguir para todos aqui a regularização fundiária em nosso país", disse.

E acrescentou: "De modo que podemos bem levar, ter e dar uma satisfação às questões daquilo que nos acusam que é desmatamento e incêndio, que em grande parte é apenas potencializado, porque está em jogo sim uma guerra comercial com todo o mundo."

O presidente reforçou elogios à sua equipe de ministros, em especial a Tarcísio de Freitas, da Infraestrutura. "Toda a satisfação que eu tenho no meu governo é comandar um ministério técnico, competente, comprometido com destino do Brasil e aliado de todos os governadores, sem exceção", observou.

Ele também afirmou ter um "excelente relacionamento" com o governador Ratinho Junior (PSD) e fez elogios à gestão do diretor-geral brasileiro da Itaipu Binacional, general Joaquim Silva e Luna.

Sem entrar em detalhes, Bolsonaro disse que "brevemente, pelo que tudo indica, teremos outra Itaipu Binacional em solo paranaense", o que avaliou como "muito bom" e "bem-vindo". O chefe do Executivo destacou ainda que ainda é "difícil investir no Brasil".

Apesar disso, ele citou ter pedido ao ministro Bento Albuquerque de Minas e Energia, para analisar forma de agilizar as concessões e liberações ambientais "para que no Brasil nós possamos dar mais um salto na questão da geração da energia", em especial dos meios hídricos. Mais cedo, Bolsonaro chegou a comentar que era uma "vergonha" o licenciamento da PCH Bedim, inaugurada nesta sexta, ter demorado cerca de 20 anos.

Estava prevista a participação do ministro de Minas e Energia na inauguração da PCH. A situação em Macapá (AP), contudo, fez o chefe da pasta cancelar a participação na comitiva presidencial.

Desde quarta-feira (4), a maior parte dos municípios do Amapá passam por um apagão de energia depois que um incêndio atingiu a subestação de energia da capital do Estado. Em seu discurso, o presidente não comentou sobre o apagão que já dura dias no Amapá. O assunto ainda não foi abordado diretamente pelo presidente.